Resumo com convergências e divergências entre as atualizações de 2025–2026 em Neonatologia e as posições da Sociedade Brasileira de Pediatria, AAP, NICE, AEP/SENeo, Ministério da Saúde, Sociedade Italiana de Neonatologia, Harvard (Boston Children's), Johns Hopkins, Oxford e Cambridge (redes neonatais regionais do NHS). 📄 Baixar em PDF
O período 2025–2026 trouxe o relatório clínico da AAP de 13/01/2026 sobre leite humano no RN de muito baixo peso, que reforça a hierarquia leite da própria mãe fortificado → leite humano doado pasteurizado como "ponte" → fórmula para pré-termo, com fortificação multinutriente obrigatória; o consenso italiano SIN/SICP/SINUPE (10/01/2026) para RN submetidos a cirurgia gastrointestinal; e uma série de protocolos institucionais da Johns Hopkins All Children's (nutrição parenteral, enteral precoce, displasia broncopulmonar, sonda domiciliar e emulsões lipídicas). A SBP não publicou documento de 2025–2026 sobre o tema; a referência mais recente é o Guia Prático de nutrição parenteral no pré-termo (out/2023). O documento da SBP sobre o desabastecimento de aminoácidos (setembro/2026) reforça a importância da oferta proteica parenteral precoce. Há consenso na hierarquia do leite, na enteral trófica desde o D1, na fortificação, nas emulsões compostas no prematuro e no óleo de peixe puro como tratamento, não prevenção, da colestase associada à NP. As divergências estão no teto de aminoácidos (SBP ≤ 3,5 g/kg/dia; NICE 3–4; Johns Hopkins até 4), na emulsão de primeira linha (soja como 1ª linha pediátrica geral no protocolo de lipídios da Johns Hopkins de 2026) e nos probióticos, sobre os quais AAP e ESPGHAN discordam e a SBP silencia.
1.O que mudou em 2025–2026
| Data | Instituição | Documento | O que mudou |
|---|---|---|---|
| 07/01/2025 | Johns Hopkins All Children's | NICU TPN clinical pathway | Aminoácidos 2 → 3,5 g/kg/dia (máx. 4); lipídios 1 g/kg/dia (extremo baixo peso) ou 2 (muito baixo peso) → 3 g/kg/dia; SMOF preferido; regras de triglicerídeos |
| 09/01/2026 | Johns Hopkins All Children's | Líquidos, eletrólitos e nutrição na DBP | Faixas de líquidos por fase (130–150 → 120–140 → 110–130 mL/kg/dia) em vez de restrição fixa; 120–150 kcal/kg/dia; proteína 3,5–4 g/kg/dia |
| 10/01/2026 | SIN / SICP / SINUPE (Itália) | Nutrição no RN com cirurgia GI maior (Ital J Pediatr 2026;52:29) | Enteral pós-operatória em ≤ 48 h; emulsões multicomponentes para reduzir colestase; refeeding por fístula mucosa; fortificar leite humano em todos < 1800 g |
| 13/01/2026 | AAP | Promoting Human Milk and Breastfeeding for the VLBW Infant (Pediatrics 157(2):e2025073625) | Substitui o relatório de 2021; leite doado como "ponte"; fortificação multinutriente obrigatória; colostro orofaríngeo; ordenha precoce |
| 15/04/2026 | Johns Hopkins All Children's | Early enteral nutrition | Critérios ampliados para leite doado; não checar resíduo gástrico; manter dieta durante tratamento da PCA |
| 06/08/2026 | Johns Hopkins All Children's | Intravenous lipid emulsion clinical pathway II | Intralipid como 1ª linha pediátrica geral; SMOF para indicações específicas; óleo de peixe puro só na colestase associada à NP |
| 09/2026 | SBP — DC de Neonatologia e de Suporte Nutricional | Desabastecimento de aminoácidos (AAs) em Neonatologia e Pediatria | Reforça a oferta proteica parenteral precoce; tem comparativo próprio neste site |
Os protocolos da Johns Hopkins All Children's são institucionais, não diretrizes de sociedade.
2.Posição brasileira (SBP)
Não há documento da SBP de 2025–2026 sobre nutrição enteral, leite humano doado ou fortificação. A posição mais recente sobre nutrição parenteral é o Guia Prático "Recomendações para nutrição parenteral em RN pré-termo", DC de Suporte Nutricional e DC de Neonatologia, out/2023. O documento da SBP "Desabastecimento de aminoácidos (AAs) em Neonatologia e Pediatria" (DC de Neonatologia e de Suporte Nutricional, setembro/2026) trata do desabastecimento de aminoácidos e afirma que a oferta parenteral proteica precoce é "determinante para prevenção do déficit nutricional cumulativo" e para a síntese proteica cerebral; tem comparativo próprio neste site.
| Tema | Conteúdo (Guia Prático 2023) |
|---|---|
| Aminoácidos | 1,5–2 g/kg/dia no D1, progredindo a 2,5–3,5 g/kg/dia; "não se recomenda ofertas superiores a 3,5 g/kg/dia" |
| Lipídios | 1–2 g/kg/dia no início → 3,5–4 g/kg/dia |
| Tipo de emulsão | SMOF (com óleo de peixe) para nutrição parenteral prolongada em < 1000 g ou < 30 semanas, para prevenir colestase |
| Glicose | TIG 4–8 mg/kg/min (ESPGHAN) ou 4,2–6,2 mg/kg/min (NICE); máximo 8–10 mg/kg/min |
| Enteral | Colostroterapia e dieta enteral trófica desde o D1 ("2 mL a cada 4 a 6 horas") |
Não aborda: critérios de leite humano doado; início da fortificação; progressão da dieta; alvos enterais de volume e proteína; resíduo gástrico; óleo de peixe puro na colestase; probióticos; DBP e RN cirúrgico.
Ministério da Saúde: o volume 4 do guia Atenção à Saúde do Recém-Nascido (2ª ed., 2014) prioriza o leite da própria mãe e, na falta, o de banco de leite humano; inicia a dieta enteral com 10–20 mL/kg/dia assim que o RN estiver estável, avançando 10–20 mL/kg/dia; descreve os aditivos do leite humano sem limiar de início (cap. 35); inicia a nutrição parenteral nas primeiras 24 h, com solução inicial de aminoácidos (1 g/kg/dia) (cap. 34); e considera os probióticos promissores, aguardando estudos. O Método Canguru (cap. 33) completa o cuidado do pré-termo. Não há documento federal mais recente sobre fortificação ou leite doado.
3.Posição das referências internacionais
| Referência | Documento e ano | Posição resumida |
|---|---|---|
| EUA — AAP | AAP — Promoting Human Milk and Breastfeeding for the VLBW Infant (Pediatrics 2026;157(2):e2025073625); Poindexter B, AAP COFN — probióticos em pré-termos (Pediatrics 2021;147(6):e2021051485) | 2026: leite da própria mãe fortificado → leite doado pasteurizado como ponte → fórmula para pré-termo; o leite doado reduz ECN, mas não reproduz os benefícios do leite materno em sepse e neurodesenvolvimento; fortificação multinutriente obrigatória. Segundo resumos publicados: sem preferência entre fortificador humano e bovino; leite doado para ≤ 1500 g até ~34–36 sem IGPM. 2021: não recomenda probióticos de rotina em pré-termos, em especial < 1000 g. |
| Reino Unido — NICE / BAPM | NICE NG154 — Neonatal parenteral nutrition (2020) | Iniciar NP em < 31+0 semanas (ou ≥ 31 se enteral insuficiente em 72 h), em até 8 h; aminoácidos 1,5–2 → 3–4 g/kg/dia; lipídios 1–2 → 3–4 g/kg/dia (incrementos de 0,5–1); "considerar emulsão composta em vez de soja pura"; suspender NP com enteral de 140–150 mL/kg/dia (< 28 sem) ou 120–140 mL/kg/dia (≥ 28 sem). |
| Espanha — AEP / SENeo | Protocolos SENeo 2023 | Sem documento específico localizado (capítulos de nutrição não acessíveis). |
| Itália — SIN / SICP / SINUPE | De Rose DU, Aceti A et al. — Nutritional management of neonates who undergo major surgery for GI disorders (Ital J Pediatr 2026;52:29) | Leite humano preferido, leite doado "alternativa viável"; enteral pós-operatória em ≤ 48 h, início com 10–24 e aumentos de 10–30 mL/kg/dia; emulsões multicomponentes (soja + TCM + oliva + peixe) para reduzir colestase; mais proteína com perdas por ostomia; refeeding por fístula mucosa reduz duração da NP e colestase; fortificar leite humano em todos < 1800 g. |
| Harvard — Boston Children's | HMS/BCH — programa de nutrição parenteral domiciliar, página sobre lipídios | Omegaven aprovado pela FDA em 27/06/2018 para colestase associada à NP, com bilirrubina direta persistentemente ≥ 2 mg/dL, na dose de 1 g/kg/dia; "não há evidência de que Omegaven previna" a lesão hepática; minimizar Intralipid a 1 g/kg/dia na NP prolongada. |
| Johns Hopkins All Children's | Early enteral nutrition (15/04/2026); NICU TPN (07/01/2025); Intravenous lipid emulsion II (06/08/2026); Nutrição na DBP (09/01/2026); SNG domiciliar (23/02/2026) | Enteral: leite materno → doado → fórmula; doado para < 1500 g ou < 32 sem até 34 sem IGPM e 1800 g (e ECN prévia, RCIU < p3, gastrosquise, cardiopatia); trófico 20 mL/kg/dia (5 dias se < 26 sem; 2–3 dias com 26–27 sem); avanço 20–30 mL/kg/dia; fortificar com 80 mL/kg/dia (22 kcal) e intensificar (24 kcal) com 90–100; meta 150–160 mL/kg/dia; não checar resíduo gástrico; manter dieta durante tratamento da PCA e com dopamina ≤ 5 mcg/kg/min; jejum durante transfusão; retirar PICC com 120 mL/kg/dia. NP: aminoácidos 2 → 3,5 g/kg/dia (máx. 4); lipídios 1 ou 2 → 3 g/kg/dia; SMOF preferido; triglicerídeos > 250 mg/dL → parar avanço, > 350 → reduzir a 0,5–1 g/kg/dia; TIG 3–6,2 → 8–10 mg/kg/min (máx. 12). Lipídios (2026): Intralipid 1ª linha pediátrica geral; SMOF para cardiopatia, falência intestinal e outras indicações; Omegaven 1 g/kg/dia só na colestase associada à NP; colestase = BD > 1 mg/dL, colestase associada à NP = BD ≥ 2 mg/dL. DBP: +15–25% de calorias; Na > 130 mEq/L; ganho 10–15 g/kg/dia (< 1 kg) ou 15–20 g/kg/dia. SNG domiciliar (23/02/2026): alta com ≥ 38 sem IGC, ≥ 2 kg e ≥ 50% via oral; 71,4% atingiram via oral plena, contra 19,3% com gastrostomia. |
| ESPGHAN | Embleton ND et al. — ESPGHAN enteral nutrition in preterm infants 2022 (JPGN 2023;76(2):248-268); van den Akker CHP et al. — probióticos em pré-termos (JPGN 2020;70:664-680) | Enteral: 150–180 mL/kg/dia; 115–140 kcal/kg/dia; proteína ≥ 3,5–4,0 g/kg/dia (recomendação forte); trófico "o mais cedo possível"; avanço 18–30 mL/kg/dia; leite doado fortificado condicionalmente recomendado sobre fórmula em < 32 sem ou < 1500 g; fortificar entre 40 e 100 mL/kg/dia; DHA 30–65 mg/kg/dia. Probióticos (2020): recomendação condicional a cepas específicas. |
| Oxford — OUH / rede Thames Valley & Wessex (TVW) | TVW — Wessex Nutritional Care of Infants (UHS v3, 02/2021, em revisão) | Oxford University Hospitals (OUH) não publica protocolos neonatais abertos; os documentos citados são da rede regional a que pertence, Thames Valley & Wessex Neonatal ODN (TVW). A diretriz de nutrição da rede vale para a área de Wessex (Southampton), não para Thames Valley; para Oxford, sem protocolo aberto: segue o NICE (NG154 na nutrição parenteral). |
| Cambridge — CUH (Rosie) / rede East of England (EoE) | EoE — Enteral Feeding v4 (NEO-ODN-2024-7, 12/2024); EoE — Donor Human Milk (06/2026); EoE — Probiotic Guideline (NEO-ODN-2025-16, 09/2025) | Cambridge University Hospitals (CUH, Rosie Hospital/NICU) não publica protocolos neonatais abertos; os documentos citados são da rede regional a que pertence, East of England Neonatal ODN (EoE). Leite da mãe → leite doado em < 32 semanas ou < 1,5 kg (e em > 32 semanas selecionados) → fórmula; avanço de até 30 mL/kg/dia (20 nos de alto risco); fortificador integral com 80–100 mL/kg/dia nos < 1.800 g; não medir resíduo gástrico de rotina no RN estável; probióticos de rotina em < 32 semanas. |
4.Concordâncias e discordâncias
| Tema | SBP | MS | AAP | NICE/UK | AEP/SENeo | Itália | Harvard | J. Hopkins | Oxford / Cambridge | Leitura |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Versão e data | GP Suporte Nutricional (NP); sem doc. 2025–26 sobre enteral | Atenção à Saúde do RN, v. 4, caps. 33–36 (2014) | AAP (2026; 2021) | NG154 (2020) | SENeo (2023) | Ital J Pediatr (2026) | HMS/BCH (página) | JHACH (04/2026; 01/2025; 08/2026) | TVW: sem diretriz para Oxford (segue NG154) · EoE: Enteral v4 (12/2024), DHM (06/2026), Probióticos (09/2025) | — |
| Leite materno → doado → fórmula | Colostroterapia D1 | Leite materno → banco de leite humano | Sim; doado como ponte | Não aborda | — | Leite humano > doado | — | Sim | Mãe → doado → fórmula (EoE) | Concordância |
| Quem recebe leite doado | Não aborda | — | ≤ 1500 g até 34–36 sem | — | — | — | — | < 1500 g ou < 32 sem + extras | < 32 sem ou < 1,5 kg (EoE) | JH mais amplo |
| Trófico e avanço | Trófico D1 | 10–20 mL/kg/dia; avanço 10–20 | — | — | — | +10–30 (cirurgia) | — | 20 → +20–30 | Até 30 mL/kg/dia; 20 no alto risco (EoE) | ≈ ESPGHAN (18–30) |
| Início da fortificação | Não aborda | Aditivo descrito, sem limiar | Obrigatória | — | — | Todos < 1800 g | — | 80 mL/kg/dia | Integral com 80–100 mL/kg/dia, < 1.800 g (EoE) | ESPGHAN 40–100; lacuna SBP |
| Aminoácidos parenterais | 1,5–2 → ≤ 3,5 | NP nas primeiras 24 h; solução inicial 1 g/kg/dia | — | 1,5–2 → 3–4 | — | ↑ se ostomia | — | 2 → 3,5 (máx. 4) | Segue o NICE | Discordância no teto |
| Lipídios: alvo | 3,5–4 g/kg/dia | — | — | 3–4 | — | — | 1 g/kg/dia na NP prolongada | 3 g/kg/dia | Segue o NICE | Faixa 3–4 |
| Emulsão preferida | SMOF (< 1000 g/< 30 sem) | — | — | Considerar composta | — | Multicomponente | — | SMOF (NP) × Intralipid (protocolo 2026) | Segue o NICE | Convergência, com divergência interna na JH |
| Colestase associada à NP | Óleo de peixe (via SMOF) | — | — | Sem recomendação específica | — | Refeeding, emulsão composta | Omegaven 1 g/kg se BD ≥ 2 | Omegaven 1 g/kg se BD ≥ 2 | — | Óleo de peixe puro = tratamento |
| Resíduo gástrico | Não aborda | — | — | — | — | — | — | Não checar | Não medir no estável (EoE) | Lacuna |
| Probióticos | Sem documento | Promissores, aguardam estudos | Contra rotina (sobretudo < 1000 g) | — | — | — | — | Não citados | Rotina < 32 sem (EoE) | Discordância AAP × ESPGHAN |
Leitura: o MS (2014) concorda na hierarquia leite da mãe → banco de leite e na dieta trófica precoce, mas não define quem recebe leite doado nem quando fortificar — lacunas que a SBP também tem. A rede de Cambridge é a mais operacional entre as referências (leite doado < 32 semanas/< 1,5 kg, fortificador com 80–100 mL/kg/dia, sem resíduo gástrico de rotina, avanço de até 30 mL/kg/dia) e é a única a usar probióticos de rotina em < 32 semanas, contra a AAP. Oxford não tem protocolo aberto e segue o NICE. Posição do site: segue a SBP na nutrição parenteral e, na falta de posição da SBP e do MS sobre fortificação e leite doado, a ESPGHAN 2022 (fortificar com 40–100 mL/kg/dia); probióticos não de rotina, coerente com o documento "Enterocolite necrosante" (Neonatologia).
5.Síntese
A base é consensual: leite da própria mãe fortificado; leite humano doado pasteurizado como ponte, protetor contra ECN mas sem todos os benefícios do leite materno; fórmula para pré-termo em terceiro lugar. A dieta trófica começa no primeiro dia e a progressão de 18–30 mL/kg/dia (ESPGHAN, Johns Hopkins) é hoje padrão. As novidades práticas de 2026 vêm da Johns Hopkins: não medir o resíduo gástrico, manter a dieta durante o tratamento da PCA, fortificar com 80 mL/kg/dia e usar faixas de líquidos por fase na displasia broncopulmonar.
Na nutrição parenteral, a divergência mais concreta é o teto de aminoácidos: SBP ≤ 3,5 g/kg/dia; NICE 3–4; Johns Hopkins 3,5 (máx. 4). A diferença é pequena na prática; mais importante, em cenário de desabastecimento, é o ponto reforçado pelo documento da SBP sobre desabastecimento de aminoácidos (setembro/2026) — o aporte proteico parenteral precoce é determinante para prevenir o déficit nutricional cumulativo. Nos lipídios, SBP, NICE, os italianos e o protocolo de NP neonatal da Johns Hopkins preferem emulsões compostas (SMOF) no prematuro, mas o protocolo geral de emulsões da própria Johns Hopkins (08/2026) coloca a emulsão de soja como 1ª linha pediátrica — divergência interna, provavelmente por populações diferentes. Harvard e Johns Hopkins concordam que o óleo de peixe puro (Omegaven 1 g/kg/dia) é tratamento da colestase associada à NP (bilirrubina direta ≥ 2 mg/dL), e não prevenção.
A maior lacuna brasileira é a nutrição enteral: faltam à SBP critérios de leite doado, momento da fortificação, alvo proteico enteral (ESPGHAN ≥ 3,5–4,0 g/kg/dia) e posição sobre probióticos, em que AAP e ESPGHAN divergem. O relatório da AAP de 2026, a ESPGHAN 2022 e o protocolo enteral da Johns Hopkins formam hoje o referencial mais completo.
- Colostro e dieta trófica desde o D1, com leite da própria mãe; na falta, leite humano doado pasteurizado antes de considerar fórmula para pré-termo.
- Fortificar o leite humano quando a dieta atinge 40–100 mL/kg/dia (ESPGHAN; Johns Hopkins com 80 mL/kg/dia), buscando 150–160 mL/kg/dia e proteína enteral ≥ 3,5 g/kg/dia.
- Aminoácidos parenterais: 1,5–2 g/kg/dia no D1, progredindo a 3,5 g/kg/dia (SBP); em situação de desabastecimento, seguir o documento da SBP de setembro/2026 (ver comparativo próprio).
- Lipídios: preferir emulsão composta com óleo de peixe (SMOF) na NP prolongada em < 1000 g ou < 30 semanas; não avançar com triglicerídeos > 250 mg/dL e manter ao menos 0,5–1 g/kg/dia.
- Colestase associada à NP (bilirrubina direta ≥ 2 mg/dL): considerar óleo de peixe puro 1 g/kg/dia como tratamento; ele não tem papel preventivo demonstrado.
- Não medir resíduo gástrico de rotina e não suspender a dieta apenas pelo tratamento da PCA (prática da Johns Hopkins); probióticos, se usados, só com cepas específicas (ESPGHAN), cientes da posição contrária da AAP.
6.Fontes
- SBP. Recomendações para nutrição parenteral em recém-nascidos pré-termo. Guia Prático, DC de Suporte Nutricional e DC de Neonatologia, out/2023. sbp.com.br
- SBP, DC de Neonatologia e DC de Suporte Nutricional. Desabastecimento de aminoácidos (AAs) em Neonatologia e Pediatria. Setembro/2026 (publicado em 08/09/2026). sbp.com.br
- AAP. Promoting Human Milk and Breastfeeding for the Very Low Birth Weight Infant. Clinical report. Pediatrics 2026;157(2):e2025073625. publications.aap.org
- Poindexter B; AAP. Relatório clínico sobre probióticos em pré-termos. Pediatrics 2021;147(6):e2021051485. doi
- NICE. NG154 — Neonatal parenteral nutrition. 2020. nice.org.uk
- SENeo. Protocolos de la SENeo 2023. seneo.es
- De Rose DU, Aceti A et al.; SIN/SICP/SINUPE. Nutritional management of neonates who undergo major surgery for gastrointestinal disorders. Ital J Pediatr 2026;52:29. PMC
- Harvard Medical School / Boston Children's Hospital. Home Parenteral Nutrition — Lipids. hpn.hms.harvard.edu
- Johns Hopkins All Children's Hospital. Early Enteral Nutrition (15/04/2026); NICU TPN (07/01/2025); Intravenous Lipid Emulsion II (06/08/2026); Fluid, Electrolyte and Nutrition Management in BPD (09/01/2026); Home Nasogastric Tube Feeding (23/02/2026). Clinical pathways. hopkinsmedicine.org
- Embleton ND et al. ESPGHAN — Enteral nutrition in preterm infants (2022). J Pediatr Gastroenterol Nutr 2023;76(2):248-268. PDF
- van den Akker CHP et al. ESPGHAN — probióticos em pré-termos. J Pediatr Gastroenterol Nutr 2020;70:664-680. PubMed
- Brasil. Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido: guia para os profissionais de saúde. 2ª ed. Brasília, 2014. v. 4, caps. 33 (Método Canguru), 34 (Nutrição parenteral), 35 (Nutrição enteral) e 36 (Alimentação após a alta). BVS MS
- East of England Neonatal ODN (rede regional de Cambridge). Enteral Feeding of Preterm Infants v4, NEO-ODN-2024-7, 12/2024; The use of Donor Human Milk in the Neonatal Unit, 06/2026; Probiotic Guideline, NEO-ODN-2025-16, 09/2025. Enteral · Leite doado
- Thames Valley & Wessex Neonatal ODN (rede regional de Oxford). Wessex Nutritional Care of Infants (UHS v3, 02/2021, em revisão; aplicável à área de Wessex). TVW