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Saúde Mental · Médicos e profissionais

Transtornos Depressivos na Adolescência

Rastreio, diagnóstico (DSM-5-TR) e tratamento

Material de apoio ao ensino e à prática; não substitui as diretrizes vigentes nem o julgamento clínico. As condutas devem ser individualizadas.

1. Importância Do Tema

Os transtornos depressivos representam uma das principais causas de incapacidade e sofrimento na adolescência, com impacto significativo sobre o desenvolvimento biopsicossocial, o desempenho escolar e a qualidade de vida. O reconhecimento precoce é essencial para prevenir desfechos graves, incluindo o suicídio — terceira causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos no Brasil em 2021, depois das agressões e dos acidentes de transporte (Boletim Epidemiológico SVSA/MS, vol. 55, nº 4, 2024), e, no mundo, a quarta causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em 2019 (OMS, citada no mesmo Boletim).

1.1 Epidemiologia

IndicadorDadoFonte
Transtornos mentais (todos) de 10 a 19 anos, no mundoCerca de 1 em cada 7 adolescentes; depressão e ansiedade estão entre os mais frequentesOMS, World Mental Health Report, 2022
Suicídio entre adolescentes no Brasil3ª causa de morte de 15 a 19 anos (2021)SVSA/MS, Boletim Epidemiológico v. 55, nº 4, 2024
Duração e recorrênciaO episódio na infância dura em média 9 meses; quem já teve depressão tem risco aumentado de novo episódio e de depressão na vida adultaSBP, DC nº 8, agosto de 2019

1.2 Por que o Pediatra é Fundamental?

2. Avaliação Inicial Sistematizada

2.1 Rastreio Universal — PHQ-A

A AAP (GLAD-PC, 2018) recomenda rastreio anual com o PHQ-A a partir dos 12 anos. O NICE (NG134, 2019) não recomenda rastreio universal: orienta treinar os profissionais da atenção primária e da escola para detectar sintomas e avaliar os grupos de risco, e reserva o questionário de autorrelato à avaliação, a partir de 11 anos, dos encaminhados aos serviços de saúde mental (CAMHS). O PHQ-A possui 9 questões sobre os últimos 14 dias, validado em português.

Pontuação Classificação Conduta

0–4 Sem depressão significativa Seguimento de rotina

Psicoeducação + reavaliação em 4

5–9                Depressão leve
                                                           semanas

Tratamento ativo + encaminhamento

10–14              Depressão moderada
                                                           psicologia
                   Depressão moderadamente                 Tratamento imediato + equipe
15–19
                   grave                                   especializada

20–27 Depressão grave Avaliação psiquiátrica urgente ± internação

Questão 9 >

                   RISCO DE SUICÍDIO                       Avaliação de risco IMEDIATA (C-SSRS)
0

2.2 Mnemônico HEADSSS

Letra Domínio Perguntas-chave

H Home (Lar) Com quem mora? Conflitos familiares? Violência doméstica?

E Education (Escola) Desempenho escolar, absenteísmo, bullying?

Activities

A                                   Hobbies, sono, alimentação, exercício?
          (Atividades)

D Drugs (Drogas) Uso de álcool, tabaco, cannabis, outras substâncias?

S Sex (Sexualidade) Relacionamentos, identidade, violência sexual?

Suicide /

S                                   Pensamentos de morte, autolesão, tentativas prévias?
          Depression

S Safety (Segurança) Cyberbullying, violência, acesso a armas/medicamentos?

2.3 Exame do Estado Mental — Checklist

AVALIAÇÃO CLÍNICA OBRIGATÓRIA NA PRIMEIRA CONSULTA

☐ Humor: tristeza, irritabilidade, labilidade emocional

☐ Afeto: embotado, congruente/incongruente com o humor

☐ Pensamento: lentificado, ruminativo, pessimista, ideação suicida/homicida

☐ Atenção e concentração: dificuldade de foco (ddx TDAH)

☐ Sono: insônia inicial/terminal/hipersonia

☐ Psicomotricidade: retardo ou agitação psicomotora

☐ Apetite e peso: perda ou ganho significativo

☐ Insight: consciência da doença (impacta adesão ao tratamento)

☐ Funcionamento global: escola, família, relações sociais

3. Fisiopatologia — Abordagem Aplicada

3.1 Modelo Neurobiológico Integrado

A depressão do adolescente resulta da interação entre vulnerabilidade genética, fatores ambientais e maturação incompleta do SNC. Mecanismos principais:

Sistema/Mecanismo Alteração Implicação Clínica

                                Hipercortisolemia crônica →            Impacto cognitivo, memória,
Eixo HPA
                                neurotoxicidade                        atenção
Sistema                         Deficiência 5-HT2A;                    Base dos ISRSs; resposta
Serotoninérgico (5-HT)          polimorfismo SLC6A4                    variável por genética

Anedonia, falta de motivação,

Sistema Dopaminérgico           Disfunção D1/D3 no CPF
                                                                       prejuízo executivo
Neuroplasticidade /             Redução BDNF no                        Atrofia hipocampal; resposta ao
BDNF                            hipocampo                              exercício físico

Relação com resistência ao

Neuroinflamação                 Elevação IL-1β, IL-6, TNF-α
                                                                       tratamento
Córtex Pré-frontal                                                     Impulsividade aumentada, maior
                                Imaturidade + hipofunção
(CPF)                                                                  risco de suicídio

Irritabilidade, respostas de medo

Amígdala                        Hiperreatividade emocional
                                                                       exageradas

3.2 Particularidades do Cérebro Adolescente

3.3 Fatores de Risco e Proteção

Fatores de RISCO Fatores de PROTEÇÃO

História familiar de depressão (risco 2–4×) Apoio familiar estruturado e vínculo afetivo

Trauma na infância (abuso, negligência) Habilidades de enfrentamento (coping)

Estresse crônico (bullying, pressão escolar) Conexão com escola e grupo de pares

Uso de substâncias (cannabis, álcool) Prática regular de atividade física

Fatores de RISCO Fatores de PROTEÇÃO

Vínculo consistente com profissional de Identidade LGBTQIA+ sem suporte familiar saúde

Acesso a meios letais (armas, fármacos) Autoeficácia e autoestima positiva

Tentativa prévia de suicídio Escola promotora de saúde mental

4. Diagnóstico

4.1 Critérios — DSM-5-TR (APA, 2022)

Episódio Depressivo Maior: ≥5 sintomas por ≥2 semanas, com obrigatória presença de pelo menos 1 dos dois primeiros:

# Sintoma Peculiaridade em Adolescentes

Humor deprimido / tristeza

1*                                                   Pode manifestar-se como IRRITABILIDADE
      persistente

Perda de interesse ou prazer

2*                                                   Abandono de hobbies, redes sociais, amizades
      (anedonia)

Alteração de peso/apetite (>

3                                                    Ganho de peso mais comum que perda
      5%/mês)

4 Insônia ou hipersonia Hipersonia é mais prevalente em adolescentes

5 Agitação ou retardo psicomotor Observável por outros — não apenas subjetivo

6 Fadiga ou perda de energia Queda de rendimento escolar frequente

7 Sentimentos de inutilidade ou culpa Autocrítica excessiva, autoestima muito baixa

Dificuldade de concentração /

8                                                    Diagnóstico diferencial: TDAH
      decisão

Pensamentos de morte / ideação

9                                                    AVALIAR SEMPRE — perguntar diretamente!
      suicida

4.2 Diagnósticos Diferenciais

NÃO PERCA ESSES DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS → Transtorno Bipolar: irritabilidade, (hipo)mania não relatada, história familiar — NÃO usar ISRS isolado → TDAH: dificuldade de concentração, baixo rendimento escolar (sem humor deprimido persistente)

→ Transtornos de Ansiedade: TAG, fobia social, pânico (frequentemente comórbidos!) → TEPT: trauma, evitação, hipervigilância, flashbacks

→ Hipotireoidismo: fadiga, ganho de peso, lentidão — dosar TSH se houver suspeita clínica

→ Anemia ferropriva: fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade

→ Uso de substâncias: cannabis, álcool, estimulantes

→ Efeito adverso de medicamentos: corticoides, isotretinoína, anticoncepcionais hormonais

→ Luto normal: duração < 2 meses, sem prejuízo funcional grave, sem ideação suicida

4.3 Exames Essenciais

Não há exame diagnóstico. Os exames são pedidos conforme a clínica, para afastar causas orgânicas — não são obrigatórios (padrão do site).

ExameQuando pedir
TSH e T4 livreFadiga, ganho de peso, lentidão, bócio ou outra suspeita de disfunção tireoidiana
Hemograma, ferritina, vitamina B12Suspeita de anemia ou carência (dieta restritiva, sangramento menstrual intenso)
GlicemiaSintomas ou fatores de risco para diabetes
25-OH-vitamina DSó em grupo de risco ou suspeita de deficiência (SBP, DC nº 181/2024); sem dosagem de rotina
Função hepáticaDoença hepática, uso de substâncias ou de medicamentos hepatotóxicos
ECGCardiopatia, síncope, história familiar de morte súbita ou QT longo, ou associação de fármacos que prolongam o QT
ToxicológicoSuspeita de uso de substâncias

4.4 O Que NÃO FAZER

ERROS DIAGNÓSTICOS — EVITAR SEMPRE

✗ NÃO minimizar como 'fase da adolescência' — depressão é doença real e tratável

✗ NÃO confiar apenas no relato dos pais — adolescente deve ser entrevistado SOZINHO

✗ NÃO evitar perguntar sobre suicídio — a pergunta é PROTETORA e obrigatória

✗ NÃO diagnosticar sem excluir bipolaridade, hipotireoidismo e uso de substâncias

✗ NÃO usar antidepressivo isolado se suspeita de episódio misto ou Transtorno Bipolar

✗ NÃO descartar depressão porque o adolescente 'sorri' ou 'parece bem' na consulta

✗ NÃO aguardar meses sem manejo — depressão moderada/grave requer tratamento ativo

5. Conduta E Tratamento

5.1 Passo a Passo Terapêutico

Passo Ação Detalhamento

Columbia C-SSRS; plano de segurança; acesso a meios

1          Avaliação de risco
                                          letais

Explicar diagnóstico, curso, tratamento; normalizar busca

2          Psicoeducação
                                          de ajuda

3 Classificar gravidade Leve, moderada ou grave (PHQ-A + avaliação clínica)

           1ª linha —                     Psicoterapia (TCC ou TIP-A) + exercício físico + higiene
4
           leve/moderada                  do sono

Fluoxetina 1ª escolha; indicada na moderada-grave ou

5          Farmacoterapia
                                          falha terapêutica

Consultas a cada 1–2 semanas nas primeiras 4–8

6          Monitoramento inicial
                                          semanas

Avaliar resposta (4–8

7                                         Parcial: otimizar dose; Sem resposta: revisar diagnóstico
           sem.)
           Tratamento de                  Mínimo 6–12 meses após remissão; 2+ episódios: 1–2
8
           manutenção                     anos
           Descontinuação                 Retirada gradual ao longo de semanas — nunca suspender
9
           gradual                        abruptamente

5.2 Psicoterapias com Evidência

ModalidadeIndicação principalBase
TCC — Terapia Cognitivo-Comportamental1ª linha em todas as gravidadesGLAD-PC 2018; NICE NG134 (2019); AACAP 2023
TIP-A — Terapia Interpessoal para AdolescentesAlternativa à TCC; útil em conflitos relacionaisGLAD-PC 2018; NICE NG134; AACAP 2023
Terapia familiarDisfunção familiar como fator de manutençãoNICE NG134 (terapia familiar sistêmica)
DBT-A — Terapia Comportamental Dialética para AdolescentesAutolesão frequente com desregulação emocionalNICE NG225 (2022)
Abordagens baseadas em mindfulnessAdjuvante; prevenção de recaídaSBP, DC nº 8/2019 (meditação e atenção plena); NICE NG134 (depressão leve)

5.3 Farmacoterapia — Doses Pediátricas

Na FDA, só a fluoxetina (a partir de 8 anos) e o escitalopram (a partir de 12 anos) são aprovados para depressão abaixo de 18 anos; no Brasil, a bula da fluoxetina não traz posologia pediátrica e a do escitalopram restringe o uso abaixo de 18 anos — conferir a bula vigente e registrar a justificativa do uso fora da bula. A SBP (DC nº 8/2019) indica antidepressivo na depressão moderada a grave, prescrito por profissional com experiência.

ALERTA (FDA, tarja preta): os ISRS podem aumentar pensamentos suicidas nas primeiras semanas — monitoramento obrigatório.

FármacoDose inicialDose habitual / máximaFonte e observações
Fluoxetina — 1ª escolha10 mg/dia (< 40 kg) ou 20 mg/dia (≥ 40 kg)20–40 mg/dia; máx. 60 mg/diaInício: padrão do site. NICE NG134: 10 mg, 20 mg após 1 semana se necessário (pouca evidência acima de 20 mg). Meia-vida longa: menos sintomas de retirada
Escitalopram — 2ª escolha10 mg/dia10–20 mg/dia; máx. 20 mg/diaInício: GLAD-PC 2018 (padrão do site); FDA ≥ 12 anos
Sertralina25 mg/dia50–150 mg/dia; máx. 200 mg/diaInício: GLAD-PC 2018; bula brasileira só para TOC de 6 a 17 anos (depressão fora da bula)

Não usar na depressão do adolescente: paroxetina, venlafaxina e antidepressivos tricíclicos (NICE NG134). Bupropiona, IRSN e associações ficam com o psiquiatra.

Regras de Ouro na Farmacoterapia

6. Comparação com as referências

ItemSBPMinistério da SaúdeAAPNICEAEPJohns HopkinsHarvardOxford / Cambridge
Versão consultadaDC nº 8, Depressão na infância e adolescência (Desenvolvimento e Comportamento), agosto de 2019Sem protocolo pediátrico de depressão localizado; Lei nº 13.819/2019 e RAPS/CAPSiGLAD-PC, Partes I e II (Zuckerbrot; Cheung), Pediatrics 2018, endossadas pela AAP; AACAP 2023 (Walter et al., JAACAP 62(5):479–502)NG134, Depression in children and young people, 25/06/2019SEMA (sociedade da AEP): Sánchez Mascaraque e Cohen, Adolescere, 2020Sem posição específica localizadaSem posição específica localizadaSegue o NICE
RastreioInvestigar humor em toda consulta (sem instrumento definido)Sem posição específica localizadaUniversal anual a partir de 12 anos (PHQ-A)Sem rastreio universal; escala só como apoio na avaliação especializadaDiagnóstico clínico com questionários de apoioSem posição específica localizadaSem posição específica localizadaSegue o NICE
Depressão levePsicoterapia e rotina saudável (sono, telas, atividade física)Sem posição específica localizadaApoio ativo e monitoramento por 6–8 semanasEspera vigilante de até 2 semanas; terapias digitais ou em grupo; sem antidepressivoPsicoterapiaSem posição específica localizadaSem posição específica localizadaSegue o NICE
Moderada a gravePsicoterapia + antidepressivo, prescrito por profissional experienteCAPSi na redeTCC/TIP-A e/ou ISRS; combinação superiorPsicoterapia; fluoxetina após 4–6 sessões sem resposta, ou combinada desde o início (12–18 anos), após revisão multidisciplinarTCC + ISRS (fluoxetina, sertralina)Sem posição específica localizadaSem posição específica localizadaSegue o NICE
Fluoxetina — inícioSem dose definidaSem posição específica localizada10 mg (GLAD-PC)10 mg; 20 mg após 1 semana10–30 mg/dia (SEMA)Sem posição específica localizadaSem posição específica localizadaSegue o NICE
Quem prescreveProfissional com experiência em psicofármacosSem posição específica localizadaPediatra da atenção primáriaApós avaliação pelo psiquiatra da infância e adolescênciaPediatra nos leves; encaminhar os moderados a gravesSem posição específica localizadaSem posição específica localizadaSegue o NICE
ManutençãoSem posição específica localizadaSem posição específica localizada6–12 meses após a remissãoPelo menos 6 meses após a remissão; revisão por 12 mesesSem detalhe localizadoSem posição específica localizadaSem posição específica localizadaSegue o NICE

Leitura: há convergência na psicoterapia (TCC ou TIP-A) como base, na fluoxetina como antidepressivo de 1ª escolha, na dose inicial baixa, na vigilância estreita das ideias suicidas no início do ISRS e na manutenção por pelo menos 6 meses após a remissão. As divergências são duas. (1) Rastreio: a AAP faz rastreio universal anual com o PHQ-A a partir de 12 anos; o NICE não rastreia a população e treina os profissionais para reconhecer os sinais; a SBP pede atenção ao humor em toda consulta, sem fixar instrumento. (2) Quem inicia o antidepressivo: na AAP, o pediatra da atenção primária; no NICE, só após avaliação do psiquiatra; na SBP, profissional experiente. Conduta do site: segue a SBP (investigar o humor em toda consulta; psicoterapia para todos os diagnosticados; antidepressivo na depressão moderada a grave) e, onde a SBP não detalha, usa o PHQ-A anual a partir de 12 anos e as doses do GLAD-PC/AAP, com a fluoxetina iniciada em 10 mg abaixo de 40 kg e 20 mg a partir de 40 kg, e o escitalopram em 10 mg. Ver Ansiedade e depressão, Psicofarmacologia para o pediatra e Risco de suicídio.

7. Critérios De Internação

7.1 Indicações de Internação Psiquiátrica

CRITÉRIOS DE INTERNAÇÃO (🔴 pronto-socorro/hospital) — AAP · NICE · SBP ✔ Risco imediato de suicídio: plano estruturado, intenção, acesso a meios letais

✔ Tentativa de suicídio recente com necessidade de cuidados médicos

✔ Psicose associada (alucinações, delírios, desorganização grave)

✔ Agitação psicomotora grave com risco a si ou a outros

✔ Recusa alimentar grave com risco nutricional

✔ Autolesão grave com risco de vida

✔ Ambiente familiar sem condições de supervisão e segurança

✔ Episódio depressivo grave com ausência total de autocuidado

7.2 Plano de Segurança — 6 Etapas (Stanley-Brown)

1.   Identificar sinais de alerta pessoais (pensamentos, imagens, comportamentos)
2.   Estratégias internas de enfrentamento (distração, regulação emocional)
3.   Contatos sociais que distroem a atenção do suicídio (amigos, família)

4. Pessoas a contatar em crise (nome + telefone atualizado)

5.   Profissionais de saúde a contatar (pediatra, psicólogo, psiquiatra + tel.)
6.   Tornar o ambiente mais seguro: remover ou travar acesso a medicamentos e
     armas

CVV Brasil: 188 (24h, gratuito) | UPA/PS: encaminhamento imediato se risco iminente

8. Erros Comuns Na Prática Clínica

Erro Frequente Por que acontece Como evitar

'É só fase da                   Normalização cultural dos            PHQ-A anual a partir dos 12
adolescência'                   sintomas                             anos (AAP); não minimizar
Não perguntar sobre             Medo de 'induzir' o                  Perguntar diretamente — reduz
suicídio                        pensamento                           risco e fortalece vínculo
                                Anamnese incompleta; foco            Investigar (hipo)mania, história
Não excluir bipolaridade
                                no episódio atual                    familiar, irritabilidade extrema
Iniciar ISRS em dose            Extrapolar doses sem ajuste          Sempre iniciar com metade da
adulta                          etário                               dose adulta

Suspender ISRS Alta sem plano de Retirada gradual em semanas;

abruptamente descontinuação informar o paciente

Não monitorar após              Agenda cheia; seguimento             Consulta em 1–2 semanas após
ISRS                            inadequado                           início
Tratar sem incluir a            Consulta só com o                    Psicoeducação familiar é parte
família                         adolescente                          essencial do tratamento

Focar apenas na queixa Avaliação multiaxial completa:

Ignorar comorbidades

principal ansiedade, TDAH, substâncias

9. Referências E Fontes

Diretrizes e documentos

Evidência primária e ferramentas