Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
A dermatomiosite juvenil (DMJ) é uma doença autoimune crônica de pele e músculo. Pense nela diante de heliótropo (edema violáceo das pálpebras), pápulas de Gottron (sobre as articulações dos dedos) e fraqueza proximal simétrica (escadas, pentear o cabelo, sinal de Gowers). O pediatra pede CK, aldolase, TGO (AST), TGP (ALT) e DHL (SBP 2020) e encaminha com prioridade ao reumatologista pediátrico, sem iniciar corticoide antes do diagnóstico. O tratamento é do especialista: corticoide (oral ou em pulsoterapia) associado ao metotrexato desde o início (SHARE 2017; PCDT 2025), com hidroxicloroquina, fotoproteção e fisioterapia (SBP 2020). Disfagia, disfonia, falta de ar, fraqueza que prende à cama, úlceras na pele ou sangue nas fezes = pronto-socorro/hospital (🔴). Dor nas panturrilhas e marcha na ponta dos pés logo após uma gripe, com CK alta, força preservada e sem lesão de pele, é miosite viral aguda benigna: casa, hidratação e retorno (🟢), salvo urina escura.
1.O que é e como se apresenta
Definição: doença crônica, multissistêmica e autoimune, com inflamação da pele e dos músculos estriados (SBP, DC nº 8/2020); sem lesão cutânea, é polimiosite juvenil. Vasculopatia e calcinose distinguem a forma juvenil; a associação com câncer é rara na criança (PCDT 2025).
Epidemiologia: 1,9 a 4 casos por milhão de crianças por ano; predomínio feminino; início em média entre 5,7 e 6,9 anos, e um quarto antes dos 4 anos (SBP 2020). Início insidioso, com febre, cansaço e perda de peso.
Pele (pode preceder a fraqueza):
- Heliótropo: eritema ou edema violáceo das pálpebras; eritema facial que não poupa o sulco nasolabial, ao contrário do lúpus (SBP 2020).
- Pápulas de Gottron: pápulas eritematosas ou violáceas sobre metacarpofalângicas e interfalângicas, cotovelos, joelhos e maléolos; o sinal de Gottron, máculas no mesmo lugar (EULAR/ACR 2017).
- Eritema em "V" do decote, alterações dos capilares periungueais, fotossensibilidade; úlceras cutâneas marcam vasculopatia grave.
- Com fraqueza leve, a pele é confundida com dermatite atópica ou psoríase (SBP 2020).
Músculo: fraqueza proximal e simétrica das cinturas e dos flexores do pescoço, dor à palpação, edema do subcutâneo. Disfonia e dificuldade de deglutir indicam acometimento da musculatura faríngea, com risco de aspiração (SBP 2020).
Outros órgãos: artrite transitória; contraturas com o atraso do tratamento; doença pulmonar restritiva e, raramente, intersticial; pericardite, raramente miocardite; vasculopatia gastrointestinal (rara e grave); lipodistrofia com resistência à insulina (SBP 2020).
Autoanticorpos miosite-específicos e fenótipos (SHARE 2017; BSR 2022):
| Anticorpo | O que sinaliza |
|---|---|
| Anti-TIF1γ (p155/140) | O mais comum na criança; doença cutânea extensa, curso crônico |
| Anti-NXP2 (p140/MJ) | Calcinose (sobretudo com início precoce), fraqueza mais intensa, disfagia |
| Anti-MDA5 | Pouca fraqueza (forma clinicamente amiopática), úlceras, artrite e doença pulmonar intersticial, que pode ser rapidamente progressiva |
| Anti-Mi-2 | Pele clássica, geralmente boa resposta ao tratamento |
Curso: monocíclico, policíclico ou crônico contínuo; bom prognóstico com tratamento precoce; edema, úlceras e calcinose predizem pior evolução (SBP 2020).
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | DMJ já diagnosticada, em remissão ou estável, sob acompanhamento do reumatologista; ou miosite viral aguda benigna típica (dor bilateral nas panturrilhas após quadro gripal, marcha na ponta dos pés, força proximal preservada, sem lesão de pele, urina clara) | Seguimento pelo pediatra (vacinas, crescimento, intercorrências, adesão); na miosite viral, hidratação, analgésico, CK de controle e retorno em 24–48 h |
| 🟡 Moderada | Suspeita de DMJ (heliótropo, Gottron, alterações periungueais) com ou sem fraqueza, deglutindo e respirando bem; recidiva cutânea ou muscular sem sinais de gravidade; calcinose nova | Exames iniciais no consultório e encaminhamento com prioridade ao reumatologista pediátrico; não iniciar corticoide antes do diagnóstico |
| 🔴 Grave | Disfagia, engasgos ou tosse ao comer, disfonia, voz anasalada; dispneia, taquipneia ou SpO2 < 92%; fraqueza que impede sair da cama ou sustentar a cabeça; úlceras cutâneas (alto risco no SHARE 2017); dor abdominal intensa, vômitos ou sangue nas fezes (vasculite gastrointestinal); dor torácica, arritmia ou insuficiência cardíaca; rebaixamento da consciência ou convulsão; urina escura (rabdomiólise) | Pronto-socorro/hospital com reumatologia pediátrica (pulsoterapia, avaliação da deglutição e do pulmão; UTI se insuficiência respiratória) |
Fatores de risco que elevam a gravidade
- Idade < 1 ano no início, atraso no diagnóstico e doença crônica contínua (SHARE 2017; SBP 2020).
- Anti-MDA5 (pulmão), anti-NXP2 (calcinose, disfagia), úlceras e edema subcutâneo intenso.
- Imunossupressão em curso: febre em uso de biológico (rituximabe, anti-TNF) ou inibidor de JAK é pronto-socorro, mesmo em bom estado (Febre e infecção na criança imunocomprometida e com dispositivos); com imunossupressor convencional isolado (metotrexato, ciclosporina, azatioprina), febre em bom estado ou contato com varicela pedem avaliação no mesmo dia.
- Na miosite viral: urina escura, fraqueza verdadeira ou recorrência (pensar em miopatia metabólica).
3.Diagnóstico no consultório
É clínico-laboratorial. Pelos critérios de Bohan e Peter (fraqueza proximal, pele, enzimas, eletromiografia, biópsia), a pele é obrigatória: pele + 2 critérios = provável; pele + 3 = definido (SBP 2020). Os critérios EULAR/ACR 2017 funcionam sem biópsia e são aceitos pelo PCDT 2025.
Exame dirigido: pálpebras, mãos, cutículas; flexão do pescoço deitado, levantar do chão (Gowers); voz e engasgos; frequência respiratória e SpO2; úlceras e nódulos (calcinose); PA.
Exames que o pediatra pode pedir na suspeita (sem atrasar o encaminhamento):
- Enzimas musculares — todas, porque se elevam de forma independente: CK, aldolase, TGO (AST), TGP (ALT) e DHL (SBP 2020; PCDT 2025). Na doença longa sem tratamento, podem estar normais (SBP 2020).
- Hemograma, VHS e PCR (geralmente normais ou pouco alterados), função renal, urina tipo 1, TSH (hipotireoidismo causa fraqueza e CK alta — SHARE 2017).
- FAN: positivo em 41–75%, sem valor diagnóstico (SBP 2020; SHARE 2017).
- TGO e TGP altas com CK alta: músculo, não fígado.
Exames do especialista: ressonância muscular (SBP 2020; SHARE 2017); capilaroscopia; avaliação da deglutição em todos; função pulmonar com difusão do CO (tomografia se alterada); ECG e ecocardiograma; radiografia para calcinose (SHARE 2017). Eletromiografia e biópsia ficam para o quadro atípico, sem lesão de pele ou sem resposta ao tratamento (SBP 2020). Autoanticorpos miosite-específicos não são de rotina (SBP 2020; o PCDT 2025 não os recomenda); o reumatologista os solicita quando disponíveis, pelo valor prognóstico (anti-MDA5, anti-NXP2).
Diagnóstico diferencial que não pode passar:
- Miosite viral aguda benigna — escolar (média de 9 anos), na convalescença de influenza ou outro vírus: dor bilateral nas panturrilhas, marcha na ponta dos pés, força proximal normal, sem lesão de pele; CK mediana de 2.637 U/L (até mais de 100.000), função renal preservada, resolução em cerca de 1 semana só com hidratação (Kosmeri et al., 2025). Rabdomiólise é rara e ocorre sobretudo em quem tem miopatia de base.
- Distrofias (Duchenne) e miopatias metabólicas: fraqueza sem lesão de pele, CK persistentemente alta.
- Hipotireoidismo, miopatia por medicamentos, rabdomiólise por esforço.
- Lúpus, psoríase, dermatite atópica ou de contato, síndromes de sobreposição.
- Guillain-Barré, miastenia, botulismo, piomiosite.
4.Tratamento e seguimento
Princípio: toda criança com suspeita de miopatia inflamatória deve ser acompanhada em centro com reumatologia pediátrica (SHARE 2017; BSR 2022). Tratamento precoce e intenso preserva a força e reduz a calcinose (SHARE 2017). O pediatra não inicia corticoide antes do diagnóstico e participa do seguimento.
O que é do pediatra:
- Fotoproteção diária — filtro solar FPS ≥ 30 de amplo espectro nas áreas expostas (a partir de 6 meses, padrão do site), roupas, chapéu, evitar sol forte (SBP 2020; SHARE 2017; PCDT 2025).
- Fisioterapia desde o início do tratamento medicamentoso, com exercícios seguros e progressivos supervisionados — recupera a força e previne contraturas (SBP 2020; SHARE 2017).
- Cálcio e vitamina D adequados durante a corticoterapia (SHARE 2017; vitamina D do site: 600 UI/dia de 1 a 18 anos, SBP 2024); dieta e hidratação adequadas (SBP 2020); crescimento, PA, glicemia e perfil lipídico.
- Vacinas: inativadas em dia, influenza anual e pneumocócica conforme o CRIE; vacinas vivas contraindicadas com corticoide ≥ 2 mg/kg/dia (até 10 kg) ou ≥ 20 mg/dia por ≥ 14 dias, biológicos ou metotrexato acima de 0,4 mg/kg/semana; após imunoglobulina 2 g/kg, aguardar 11 meses para tríplice viral e varicela (Manual dos CRIE 2023 — ver "Vacinação da criança imunocomprometida e com doenças crônicas (CRIE)").
- Apoio psicológico e escolar; adesão e infecções.
Medicamentos — esquema do especialista. A SBP (DC nº 8/2020) define o corticoide para todos (oral ou em pulsoterapia, conforme a gravidade), a hidroxicloroquina para todos e o metotrexato precoce, sempre com ácido fólico, mas não traz doses; pela regra do site, as doses seguem o PCDT do Ministério da Saúde (2025), com o SHARE 2017 como apoio.
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| Metilprednisolona (pulsoterapia na DMJ) | 30 mg/kg/dia IV em 30 min, máx. 1 g/dia | 1 vez ao dia | 3 dias consecutivos, repetida conforme resposta | Doença moderada a grave, disfagia, pulmão, má absorção — BSR 2022; PCDT 2025 (mantido por 48–72 h) |
| Prednisona (ou prednisolona) | 1–2 mg/kg/dia VO, máx. 60 mg/dia | 1 vez ao dia (ou fracionada) | 4 semanas; depois reduzir 0,5 mg/kg a cada 2 semanas até 0,5 mg/kg/dia e, então, a cada 4 semanas | PCDT 2025; BSR 2022 (1–2 mg/kg/dia) |
| Metotrexato | 15–20 mg/m² ou 1 mg/kg, máx. 40 mg | 1 vez por semana, de preferência SC | Prolongado; suspensão considerada após ≥ 1 ano de remissão sem corticoide | Desde o início, com o corticoide — PCDT 2025; SHARE 2017 |
| Ácido fólico | 5–10 mg/semana VO | 24–48 h após o metotrexato | Enquanto usar metotrexato | PCDT 2025; obrigatório (SBP 2020) |
| Hidroxicloroquina | Até 5 mg/kg/dia VO, máx. 400 mg/dia | 1–2 vezes ao dia | Prolongado | Pele, lipídios e poupador de corticoide (SBP 2020); bula a partir de 6 anos, sem partir o comprimido (PCDT 2025); exame oftalmológico |
| Imunoglobulina humana IV | 1 g/kg/dia por 2 dias (máx. 2 g/kg por ciclo) | A cada 4 semanas | Conforme resposta | Doença refratária, pele proeminente, disfagia — PCDT 2025; SHARE 2017 |
| Ciclosporina | 3–5 mg/kg/dia VO, máx. 6 mg/kg/dia | 12/12 h | Prolongado | Alternativa ao metotrexato — PCDT 2025; SBP 2020 |
| Ciclofosfamida (pulsoterapia) | 500–750 mg/m² IV | A cada 4 semanas | Cerca de 6 meses, depois transição | Úlceras extensas, pulmão, vasculite, doença grave — PCDT 2025; SBP 2020 e SHARE 2017 (indicação) |
- Refratários: azatioprina 1–3 mg/kg/dia (máx. 150 mg/dia) (PCDT 2025); micofenolato e biológicos (SBP 2020; SHARE 2017) não estão no PCDT 2025.
- Metotrexato: hemograma, TGO, TGP, ureia e creatinina antes, mensalmente nos 6 primeiros meses e depois a cada 2–3 meses; teratogênico — contracepção eficaz na adolescente (PCDT 2025).
- Corticoide: glicemia, lipídios, PA, densitometria e olhos; não suspender abruptamente (PCDT 2025).
- Pele persistente = doença ativa, pede mais imunossupressão; tópicos só em lesão localizada (SHARE 2017), e corticoide tópico na face é exceção (SBP 2020).
Calcinose: depósitos de cálcio na pele, subcutâneo, fáscia ou músculo, em média 2,9 anos após o início, mais comuns com atraso do tratamento, doença crônica, anti-NXP2 e início precoce (SHARE 2017; BSR 2022). Procurar em todo retorno (palpação; radiografia simples). A prevenção é o controle precoce da doença; diante de calcinose nova, intensificar a imunossupressão (SHARE 2017). Bisfosfonatos, diltiazem e tiossulfato têm evidência inconclusiva (PCDT 2025).
O que não fazer: corticoide antes do diagnóstico; tratar o rosto como atopia sem examinar a força; vacina viva sem conferir a imunossupressão.
Seguimento conjunto: força, pele, deglutição, enzimas e efeitos adversos; a melhora clínica vale mais que as enzimas (PCDT 2025).
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Disfagia, engasgo ao comer, disfonia ou voz anasalada (aspiração).
- Dispneia, taquipneia, tosse seca progressiva, SpO2 < 92% (sobretudo anti-MDA5).
- Fraqueza que impede sair da cama ou sustentar a cabeça.
- Úlceras cutâneas; dor abdominal intensa ou sangue nas fezes (vasculite gastrointestinal).
- Dor torácica, arritmia, insuficiência cardíaca; rebaixamento da consciência ou convulsão.
- Urina escura ou escassa com dor muscular (rabdomiólise), inclusive na miosite viral.
- Febre (≥ 37,5 °C axilar) em uso de biológico ou inibidor de JAK, mesmo em bom estado; febre com mau estado geral em criança com imunossupressor convencional.
Como encaminhar
- Jejum se houver disfagia ou engasgo; cabeceira elevada; não oferecer líquidos ou comprimidos pela boca.
- Oxigênio para manter SpO2 entre 94% e 98% (padrão do site); avaliar a frequência respiratória e a força da tosse.
- Acesso venoso quando possível; na suspeita de rabdomiólise, hidratação com soro fisiológico e diurese monitorada.
- Não iniciar corticoide no consultório (a pulsoterapia é do hospital); quem já usa corticoide não pode ficar sem a dose (insuficiência adrenal).
- SAMU (192) se insuficiência respiratória, aspiração ou rebaixamento; contato prévio com serviço com reumatologia pediátrica e UTI.
- Relatório: evolução, exames, medicamentos e doses.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "Com o tratamento certo a maioria fica bem. Não suspenda remédios por conta própria."
- "Protetor solar todos os dias, mesmo nublado, e roupas que protejam do sol: o sol piora a pele e a doença."
- "A fisioterapia faz parte do tratamento."
- "O metotrexato é uma vez por semana, sempre no mesmo dia."
- "Antes de vacinar, mostre a lista de remédios."
- Procurar o pronto-socorro se houver: engasgo, voz diferente, falta de ar, fraqueza para levantar ou andar, ferida na pele, dor de barriga forte ou sangue nas fezes, urina escura, febre com abatimento.
- Miosite viral após gripe: "melhora em poucos dias; ofereça líquidos. Volte se a urina escurecer ou diminuir, ou se não melhorar em uma semana."
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Documento (versão/data) | DC nº 8, Dep. Reumatologia, maio 2020 | PCDT Miopatias Inflamatórias (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 9, 02/07/2025; revogou PCDT 2016) | Sem diretriz localizada | Sem diretriz própria; BSR 2022 (processo acreditado pelo NICE) | Protocolo AEP/SERPE 2020 localizado, texto não aberto | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE (BSR 2022) |
| Diagnóstico | Bohan e Peter; pele obrigatória | Bohan e Peter ou EULAR/ACR 2017 | — | BSR: pediatras especialistas conduzem | — | — | — | Segue o NICE |
| Exames | CK, aldolase, TGO, DHL; RM útil | Todas as enzimas; RM não recomendada | — | BSR: deglutição, função pulmonar com difusão | — | — | — | Segue o NICE |
| Autoanticorpos | Não realizados na rotina | Não recomendados | — | BSR: testar em todos | — | — | — | Segue o NICE |
| Indução | Corticoide oral ou pulso + metotrexato | Prednisona 1–2 mg/kg (máx. 60) ou pulso 30 mg/kg; metotrexato 15–20 mg/m² | — | BSR: prednisolona 1–2 mg/kg ou pulso 30 mg/kg + metotrexato | — | — | — | Segue o NICE |
| Hidroxicloroquina | Para todos (até 5 mg/kg/dia) | Pele; 5 mg/kg/dia a partir de 6 anos | — | — | — | — | — | Segue o NICE |
| Refratários | Ciclosporina, ciclofosfamida, biológicos | Imunoglobulina, ciclosporina, ciclofosfamida, azatioprina; sem rituximabe e micofenolato | — | BSR: micofenolato, imunoglobulina, ciclofosfamida | — | — | — | Segue o NICE |
Leitura: convergem no diagnóstico pela pele e pela fraqueza, nas enzimas musculares, na indução com corticoide e metotrexato (o ensaio do PRINTO favoreceu a combinação — SHARE 2017), na fotoproteção, na fisioterapia e no centro especializado. Divergem nos autoanticorpos (SBP 2020: não são de rotina; PCDT 2025: não recomendados; SHARE 2017: considerar quando disponíveis; BSR 2022: testar todos), na ressonância muscular (útil para SBP, SHARE e BSR; não recomendada pelo PCDT), na pulsoterapia (SHARE: corticoide em dose alta, oral ou IV; PCDT e BSR: pulso nas formas graves; SBP decide pela gravidade), na hidroxicloroquina (SBP para todos; PCDT com foco na pele; SHARE só na refratária) e nos refratários (micofenolato e rituximabe no SHARE, na BSR e na SBP, fora do PCDT 2025). O site adota a posição da SBP (DC nº 8/2020) e, onde a SBP não traz doses, o PCDT do Ministério da Saúde (2025).
- Heliótropo ou Gottron em criança com "dermatite que não melhora": teste a força (pescoço, Gowers) e peça CK, aldolase, TGO, TGP e DHL.
- Suspeita sem sinais de gravidade: reumatologista pediátrico com prioridade e sem corticoide antes do diagnóstico.
- Disfagia, disfonia, falta de ar, fraqueza que prende à cama, úlceras ou sangue nas fezes: pronto-socorro, em jejum, com oxigênio para SpO2 94–98%.
- Dor nas panturrilhas e marcha na ponta dos pés depois de gripe, com força normal e sem lesão de pele: miosite viral benigna, hidratação e retorno; urina escura vai ao hospital.
- No seguimento: protetor solar diário, fisioterapia, ácido fólico com o metotrexato, cálcio e vitamina D, calcinose em todo retorno.
- Vacinas vivas só depois de conferir corticoide, metotrexato, biológico e imunoglobulina no documento do CRIE.
Veja também, nesta Biblioteca: A pele como sinal de doença sistêmica na criança (Dermatologia); Lúpus eritematoso sistêmico juvenil (nesta área); Doenças neuromusculares — atrofia muscular espinhal (AME) e distrofia muscular de Duchenne (Neurologia); Miocardite, pericardite e síndrome inflamatória multissistêmica (MIS-C) (Cardiologia); Pneumonia aspirativa e disfagia na criança com comprometimento neurológico (Pneumologia); Transaminases elevadas e esteatose hepática (MASLD) na criança (Gastroenterologia); Dor em membros (dor de crescimento e sinais de alerta) (Patologias do consultório); Vacinação da criança imunocomprometida e com doenças crônicas (CRIE) (Imunizações).
8.Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Reumatologia. Dermatomiosite Juvenil (DMJ) — Documento Científico nº 8, maio de 2020. PDF
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Miopatias Inflamatórias (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 9, de 02/07/2025). PDF
- Bellutti Enders F et al. Consensus-based recommendations for the management of juvenile dermatomyositis (SHARE). Ann Rheum Dis, 2017;76:329–340. pmc.ncbi.nlm.nih.gov
- Oldroyd AGS et al. British Society for Rheumatology guideline on management of paediatric, adolescent and adult patients with idiopathic inflammatory myopathy. Rheumatology, 2022. pmc.ncbi.nlm.nih.gov
- Kosmeri C et al. Influenza-Associated Benign Acute Childhood Myositis During the 2024–2025 Season — A Retrospective Multicenter Study. Children (Basel), 2025;12(10):1333. pmc.ncbi.nlm.nih.gov