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Linfoma não Hodgkin

1.Importância e epidemiologia

Os linfomas não Hodgkin (LNH) da infância são, em geral, tumores de alto grau, difusos e muito agressivos — comportam-se mais como emergências oncológicas do que o Hodgkin. São pouco frequentes abaixo dos 5 anos e mais comuns após os 10, com predomínio no sexo masculino (70%); o Burkitt esporádico predomina em meninos de 5 a 10 anos (SBP, DC nº 166/2024). A imunodeficiência (congênita, HIV, pós-transplante de órgão sólido ou de medula, com risco 30 a 50 vezes maior) aumenta o risco.

2.Principais tipos na infância

TipoCaracterísticas
Burkitt (células B maduras)Altíssima taxa de proliferação; massa abdominal (forma endêmica: mandíbula/face, ligada ao EBV); associado a t(8;14)/c-MYC; altíssimo risco de lise tumoral
Linfoblástico (precursor T ou B)Cerca de 30% dos LNH; massa mediastinal anterior em mais de 95%, muitas vezes com derrame pleural (SBP, 2024); parente próximo da LLA-T
Grandes células B difusoAdolescentes; nodal/extranodal
Anaplásico de grandes célulasPode ter acometimento cutâneo e sistêmico; ALK

3.Quadro clínico por apresentação

4.Emergências

Atenção

Pela altíssima taxa de proliferação (sobretudo o Burkitt), o LNH cursa com risco elevado de síndrome de lise tumoral — espontânea ou ao iniciar o tratamento. Prevenir com hidratação vigorosa sem potássio e rasburicase ou alopurinol (rasburicase só depois de afastar deficiência de G6PD; doses no documento Emergências oncológicas). A massa mediastinal traz risco de obstrução de via aérea/veia cava superior em decúbito e sedação: linfadenomegalia com dispneia é emergência — 🔴 hospital imediato (Ministério da Saúde, 2017).

5.Diagnóstico

6.Tratamento e prognóstico

Baseado em quimioterapia sistêmica intensiva e dirigida ao tipo, com forte profilaxia/manejo de lise tumoral e de SNC. Diferente do Hodgkin, o controle local (cirurgia ou radioterapia) é ineficaz mesmo na doença localizada; usam-se quimioterapia em altas doses, anticorpos monoclonais e imunoterapia, e transplante na recidiva ou refratariedade. Apesar da agressividade, a sobrevida ultrapassa 80% (SBP, 2024). O reconhecimento e o início rápidos são determinantes.

7.Erros comuns

8.Pontos-chave para a prova

9.Casos clínicos comentados

Caso 1

Menino de 7 anos com dor e distensão abdominal de rápida progressão (poucos dias), massa abdominal palpável e vômitos. Exames com DHL e ácido úrico muito elevados. A biópsia revela linfoma de Burkitt.

1.Qual a complicação metabólica de maior risco neste paciente?
Gabarito: B) O Burkitt tem altíssima taxa de proliferação e enorme carga tumoral — o maior risco é a síndrome de lise tumoral (hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia, lesão renal), espontânea ou ao iniciar a quimioterapia.
2.A medida preventiva mais adequada antes/durante o início do tratamento é:
Gabarito: A) Previne-se a lise tumoral com hidratação vigorosa e rasburicase ou alopurinol, vigiando eletrólitos e função renal. Repor potássio/fósforo seria perigoso (já tendem a subir).
3.A alteração citogenética classicamente associada ao Burkitt é:
Gabarito: C) O linfoma de Burkitt associa-se à t(8;14) com desregulação do oncogene c-MYC, responsável pela altíssima taxa proliferativa.
0/3 acertos
Caso 2

Adolescente com tosse, dispneia que piora ao deitar e edema de face e pescoço, surgidos em poucos dias. TC mostra volumosa massa mediastinal anterior. A biópsia indica linfoma linfoblástico de células T.

1.A síndrome clínica decorrente da massa é:
Gabarito: B) A compressão da veia cava superior pela massa mediastinal causa edema/pletora de face e pescoço, dispneia e ortopneia — a síndrome de veia cava superior.
2.Esse linfoma é "parente próximo" de qual leucemia?
Gabarito: C) O linfoma linfoblástico T e a LLA-T compartilham a célula de origem; a distinção prática baseia-se sobretudo no grau de acometimento medular.
3.Antes de qualquer sedação para procedimentos, é fundamental:
Gabarito: A) A massa mediastinal anterior pode causar colapso de via aérea e compressão de grandes vasos sob sedação/decúbito — avaliar o risco e planejar a abordagem com a equipe é essencial.
0/3 acertos

10.Comparação com as referências

Versões conferidas em outubro de 2026. Regra do site: a conduta segue a SBP; na falta dela, o Ministério da Saúde; na falta de ambos, a melhor referência, indicada no texto.

ItemSBPMinistério da SaúdeAAPNICEAEPJohns HopkinsHarvardOxford / Cambridge
Versão consultadaDC nº 166, 02/09/2024 (Linfomas)Protocolo de diagnóstico precoce, 2017Sem posição específica localizadaNG12, 1.10.7 (2015; atualizada em 15/04/2026)AEPap/SEHOP, guia de detecção, 2015Sem posição específica localizadaBoston Children's (página do serviço)Segue o NICE
ApresentaçãoBurkitt: abdome (íleo terminal, intussuscepção); linfoblástico: mediastino em > 95%; grandes células: adolescentesAdenomegalia suspeita; linfadenomegalia com dispneia = emergênciaSem posição específica localizadaLinfadenopatia ou esplenomegalia inexplicadasProgressão rápida: adenopatias, dispneia, veia cava superior, distensão abdominalSem posição específica localizadaBurkitt, grandes células B, mediastinal primário, anaplásico, linfoblásticoSegue o NICE
EncaminhamentoDiagnóstico preciso e urgente; centro de referênciaEm poucas horas se houver dispneia ou massa mediastinalSem posição específica localizadaMuito urgente (very urgent)Dispneia com sinais de alarme sem resposta ao broncodilatador, ou massa mediastinal: derivação imediataSem posição específica localizadaSem posição específica localizadaSegue o NICE
DiagnósticoCéu aberto; sem anestesia, derrame, ascite ou medula; DHL, ácido úrico, K, P, Ca, líquorCéu aberto, PAAF, derrame ou mielogramaSem posição específica localizada——Sem posição específica localizadaSem posição específica localizadaSegue o NICE
Tratamento e prognósticoSistêmico; controle local ineficaz; > 80% de sobrevida—Sem posição específica localizada——Sem posição específica localizadaCentro de referênciaSegue o NICE

Leitura: as referências convergem: o LNH da criança é de alto grau, cresce em dias e exige diagnóstico urgente; dispneia com linfonodo ou massa mediastinal é emergência (MS, AEPap); a biópsia deve ser planejada pelo centro, pelo risco anestésico da massa mediastinal (SBP 2024). A SBP e o MS não trazem doses para a lise tumoral; o site usa as do documento Emergências oncológicas (Coiffier 2008 e bula brasileira). A diferença está só no prazo: NICE e AEPap o fixam em horas; o site segue a SBP — diagnóstico urgente no centro de referência — e marca 🔴 a massa mediastinal com sintomas, a massa abdominal de crescimento rápido e os sinais de lise tumoral.

Pontos práticos
  1. Massa abdominal que cresce em dias, "invaginação" no escolar ou ascite inexplicada: 🔴 hospital imediato.
  2. Tosse, ortopneia, edema de face ou derrame pleural com linfonodo: radiografia de tórax e 🔴, sentada, sem sedar.
  3. Linfonodo com sinais de alerta (supraclavicular, > 2 cm, duro, crescente): encaminhe com urgência para biópsia no centro.
  4. Oligúria, vômitos ou fraqueza em criança com linfoma: pense em lise tumoral (potássio, fósforo, cálcio, ácido úrico, creatinina).
  5. Sem corticoide antes do diagnóstico.

11.Referências selecionadas