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Nutrição Parenteral em Neonatologia

1.Importância do tema

A nutrição parenteral (NP) é essencial para o prematuro e o RN gravemente enfermo que não toleram aporte enteral suficiente. O período neonatal é de crescimento acelerado e baixas reservas; o jejum prolongado leva rapidamente a catabolismo, défice de crescimento e pior neurodesenvolvimento. A meta é ofertar energia e proteína suficientes desde as primeiras horas, evitando tanto o subaporte quanto as complicações do excesso.

2.Indicações

Conceito

NP e nutrição enteral não são excludentes: sempre que possível, mantém-se a dieta enteral mínima (trófica) em paralelo à NP, para estimular o trofismo intestinal e reduzir o tempo de NP.

3.Componentes e metas de aporte

A NP fornece macro e micronutrientes. As metas (orientativas; ajustar a cada serviço/protocolo) para o prematuro:

Metas de aporte na NP do prematuro (valores orientativos)
ComponenteInícioMeta
Aminoácidos1,5–2,5 g/kg/dia já no 1º dia3–4 g/kg/dia
Lipídios1–2 g/kg/dia desde o 1º dia3–3,5 g/kg/dia
GlicoseTIG 4–6 mg/kg/minTIG até 10–12 mg/kg/min
Energia total~90–120 kcal/kg/dia (parenteral)
Líquidos60–80 mL/kg/dia (1º dia)progressão até 140–160 mL/kg/dia
Início precoce

Aminoácidos e lipídios devem começar nas primeiras horas de vida no prematuro, não havendo razão para "esperar" — o início precoce previne o catabolismo e melhora desfechos. Lipídios também fornecem ácidos graxos essenciais.

4.Glicose e taxa de infusão de glicose (TIG)

A glicose é a principal fonte energética. Calcula-se a TIG (mg/kg/min):

TIG = [glicose (g/L) × velocidade (mL/h)] ÷ (peso × 6)

5.Eletrólitos, cálcio e fósforo

6.Acesso e monitorização

7.Complicações

TipoExemplos
MetabólicasHiper/hipoglicemia, hipertrigliceridemia, distúrbios eletrolíticos, doença metabólica óssea
Relacionadas ao cateterInfecção de corrente sanguínea associada a cateter, trombose, extravasamento, derrame
HepatobiliaresColestase associada à NP (PNAC/IFALD), sobretudo em NP prolongada e jejum enteral
Colestase associada à NP

Suspeitar quando há elevação de bilirrubina direta em RN sob NP prolongada. Estratégias de prevenção/manejo incluem: iniciar/avançar a dieta enteral o quanto antes, evitar excesso de lipídios à base de soja, prevenir e tratar sepse e progredir para retirar a NP assim que possível.

8.Transição para a dieta enteral

9.Erros comuns

10.Pontos-chave para a prova

11.Casos clínicos comentados

Caso 1

Prematuro de 28 semanas, 1.050 g, 6 horas de vida, em ventilação, sem condições de dieta enteral plena. A equipe discute a prescrição da nutrição parenteral inicial.

1.Quanto aos aminoácidos e lipídios, a conduta correta é:
Gabarito: B) O início precoce de aminoácidos e lipídios (já nas primeiras horas) previne o catabolismo. Dose inicial de proteína ~1,5–2,5 g/kg/dia com progressão até 3–4; lipídios fornecem ácidos graxos essenciais.
2.A solução prescrita é hiperosmolar (glicose concentrada). Qual o acesso adequado?
Gabarito: C) Soluções concentradas/hiperosmolares exigem acesso central pelo risco de flebite e lesão venosa por via periférica.
3.Sobre o potássio na NP do primeiro dia:
Gabarito: A) O potássio costuma ser adicionado após a diurese e a função renal estarem estabelecidas, pelo risco de hipercalemia no RN com débito urinário ainda não garantido.
0/3 acertos
Caso 2

Prematuro com 3 semanas de NP por intolerância enteral após cirurgia abdominal. Exames mostram elevação progressiva da bilirrubina direta, com transaminases pouco alteradas. Mantém dieta enteral mínima.

1.O diagnóstico mais provável é:
Gabarito: B) Elevação de bilirrubina direta em RN sob NP prolongada e jejum enteral caracteriza a colestase associada à NP. As demais causas cursam tipicamente com hiperbilirrubinemia indireta.
2.Qual a principal estratégia para prevenir/atenuar esse quadro?
Gabarito: A) Progredir a dieta enteral e encurtar a NP é a medida central. Fototerapia/exsanguineo tratam hiperbilirrubinemia indireta, não a colestase. Evitar excesso de lipídios de soja também ajuda.
3.Além da colestase, qual outra complicação deve ser ativamente vigiada nesse paciente com cateter central?
Gabarito: C) O cateter central é porta de entrada para infecção de corrente sanguínea (sepse associada a cateter), uma das principais complicações da NP, que também agrava a colestase.
0/3 acertos

12.Referências selecionadas