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Deformidades Posicionais e Estruturais do Recém-Nascido

1.Importância do tema

Muitas alterações de forma no recém-nascido são posicionais (deformações por compressão intraútero ou postura), de bom prognóstico e resolução espontânea. Outras são estruturais e exigem tratamento precoce para evitar sequelas. Saber diferenciar evita tanto intervenções desnecessárias quanto atrasos prejudiciais.

2.Posicional x estrutural

Deformação posicionalMalformação estrutural
OrigemForça mecânica sobre estrutura normal (oligoâmnio, postura)Defeito intrínseco da formação
RedutibilidadeGeralmente redutível à manipulaçãoRígida, não redutível
PrognósticoBom; tende a melhorar espontaneamenteRequer tratamento específico

A redutibilidade ao exame é a pista clínica central para separar os dois grupos.

3.Pé: posicional x equinovaro congênito

Conceito-chave

O fator que diferencia é a rigidez/redutibilidade: o pé posicional reduz; o pé torto congênito não. Iniciar Ponseti precocemente melhora muito o resultado.

4.Crânio: plagiocefalia posicional x craniossinostose

Plagiocefalia posicionalCraniossinostose
CausaPressão repetida (decúbito) — aumentou com a posição supina para dormirFechamento precoce de sutura
SuturasPérvias; sem rebordo ósseoSutura fundida, com cristas palpáveis
Formato típicoCabeça em "paralelogramo" (orelha do lado achatado deslocada para frente)Depende da sutura (ex.: escafocefalia na sagital)
CondutaReposicionamento, tummy time, fisioterapia; órtese em casos selecionadosAvaliação por neurocirurgia/cranio; muitas vezes cirúrgica
Sinal de alerta

Crista óssea palpável sobre a sutura e ausência de melhora com reposicionamento sugerem craniossinostose — encaminhar para imagem e avaliação especializada.

5.Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ)

6.Torcicolo muscular congênito

Encurtamento/fibrose do músculo esternocleidomastóideo: a cabeça inclina para o lado afetado e o rosto roda para o lado oposto; pode haver "nódulo" muscular palpável. Associa-se a plagiocefalia e à DDQ. Tratamento inicial com fisioterapia/alongamento, de bom prognóstico quando precoce. Diferenciar de torcicolos não musculares (ósseo, ocular, neurológico).

7.Quando observar e quando encaminhar

8.Erros comuns

9.Pontos-chave para a prova

10.Casos clínicos comentados

Caso 1

RN com ambos os pés em posição "torta", em equino e varo. À manipulação, um pé corrige facilmente à posição neutra; o outro permanece rígido e não se reduz.

1.A diferença entre os dois pés indica que:
Gabarito: B) A redutibilidade define: o pé que corrige é posicional (observação); o rígido, não redutível, sugere pé torto congênito, que é estrutural.
2.Para o pé rígido, o tratamento de escolha é:
Gabarito: C) O pé equinovaro congênito é tratado pelo método de Ponseti, iniciado precocemente. Pavlik é para displasia do quadril; capacete é para plagiocefalia.
3.O momento ideal para iniciar o tratamento do pé rígido é:
Gabarito: A) O Ponseti tem melhores resultados quando iniciado nas primeiras semanas, aproveitando a maleabilidade dos tecidos do recém-nascido.
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Caso 2

Lactente de 6 semanas, sexo feminino, nascida de apresentação pélvica, trazida porque a mãe notou assimetria de pregas nas coxas. Ao exame, há limitação de abdução de um quadril e manobra de Ortolani com "clunk" desse lado.

1.A hipótese diagnóstica e os fatores de risco presentes são:
Gabarito: B) Ortolani positivo, limitação de abdução e assimetria de pregas, com sexo feminino e apresentação pélvica, caracterizam a displasia do desenvolvimento do quadril e seus fatores de risco clássicos.
2.O exame de imagem de escolha para confirmar nessa idade é:
Gabarito: C) Nos primeiros meses, a ultrassonografia é o exame de escolha, pois a cabeça femoral ainda é cartilaginosa; a radiografia ganha valor após a ossificação (~4–6 meses).
3.O tratamento inicial mais provável, iniciado precocemente, é:
Gabarito: A) Nos primeiros meses, a DDQ é tratada com suspensório de Pavlik, com bons resultados quando iniciado cedo. Ponseti é para o pé torto; capacete para plagiocefalia.
0/3 acertos

11.Referências selecionadas