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Guia Vacinal Completo

Calendário, vias, doses e observações por idade

Material de apoio ao ensino e à prática; não substitui as diretrizes vigentes nem o julgamento clínico. As condutas devem ser individualizadas.

ℹ Atualizado em outubro de 2026 pelo Calendário de Vacinação da SBP 2026/2027 (Documento Científico nº 56, 28/07/2026) e pelo Calendário Nacional de Vacinação 2026 (Instrução Normativa de 23/07/2026 e notas técnicas posteriores). Para o quadro completo e comentado, ver Vacinas – Atualizações 2026.

Calendário Nacional de Vacinação — PNI / Ministério da Saúde

Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 (versão de 23/07/2026) e notas técnicas posteriores (NT nº 77/2025 — MenACWY aos 12 meses; guia técnico da VPC20, 26/05/2026; NT nº 64/2026 — 2º reforço da VIP aos 4 anos; Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS — VPC20 nos CRIE/RIE). Disponível gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Ao nascer (0–24h)

VacinaVia / DoseObservações
BCG intradérmicaID · 0,1 mL — deltóide DDose única; prematuros <36 sem ou ≤ 2 kg: aguardar estabilidade clínica e peso > 2 kg (SBP 2026/2027). Previne: TB miliar, meningite tuberculosa.
Hepatite B recombinanteIM · 0,5 mL — vasto lat. coxaPrimeiras 12h de vida. RN de mãe HBsAg+: TAMBÉM IgHB 0,5 mL IM em sítio diferente, idealmente nas primeiras 12h (até o 7º dia — SBP) — eficácia 95% contra transmissão vertical.
Nirsevimabe (anticorpo monoclonal anti-VSR)IM · 50 mg (< 5 kg) ou 100 mg (≥ 5 kg) — vasto lat. coxaSUS (desde fevereiro de 2026): prematuros ≤ 36 semanas e 6 dias, sem limite de idade, em qualquer época do ano, de preferência na maternidade. Não é aplicado a todo RN a termo — ver seção de anticorpos monoclonais.

2 meses

VacinaVia / DoseObservações
Pentavalente (DTP + HepB + Hib)IM · 0,5 mL — vasto lat.1ª dose. Previne: Difteria, Tétano, Coqueluche (células inteiras), Hepatite B, Haemophilus influenzae tipo b.
VIP — Inativada PólioIM · 0,5 mL1ª dose. 3 tipos de poliovírus inativados. Todas as 5 doses são com VIP (2, 4, 6, 15 meses e 4 anos); a VOP não é mais usada.
Pneumocócica 20-valente (VPC20)IM · 0,5 mL — vasto lat.1ª dose (PNI, esquema 2+1 desde junho de 2026). Cobre 20 sorotipos (os 10 da VPC10 + 3, 6A, 19A, 8, 10A, 11A, 12F, 15B, 22F e 33F). Previne pneumonia, meningite, otite.
Rotavírus humano G1P[8] (VORH)VO · 1,5 mL1ª dose. Não repetir se regurgitada. Não administrar com mamadeira. Limite (SBP; “Vacinas – Atualizações 2026”): 1ª dose até 11 meses e 29 dias; última dose até 23 meses e 29 dias.

3 meses

VacinaVia / DoseObservações
Meningocócica C conjugadaIM · 0,5 mL1ª dose. Vacina conjugada com proteína carreadora (CRM197 ou TT). Previne doença meningocócica por sorogrupo C.

4 meses

VacinaVia / DoseObservações
PentavalenteIM · 0,5 mL2ª dose
VIPIM · 0,5 mL2ª dose
Pneumocócica (VPC10 ou VPC20)IM · 0,5 mL2ª dose. Fase de transição: enquanto houver estoque de VPC10, o esquema é VPC20 aos 2 meses, VPC10 aos 4 meses e VPC20 aos 12 meses.
Rotavírus humano (VORH)VO · 1,5 mL2ª dose (última). Limite (SBP; “Vacinas – Atualizações 2026”): 1ª dose até 11 meses e 29 dias; última dose até 23 meses e 29 dias.

5 meses

VacinaVia / DoseObservações
Meningocócica C conjugadaIM · 0,5 mL2ª dose.

6 meses

VacinaVia / DoseObservações
PentavalenteIM · 0,5 mL3ª dose. Série primária concluída.
VIPIM · 0,5 mL3ª dose. Série primária concluída.
Influenza inativada (trivalente ou quadrivalente)IM · 6–35 meses: 0,25 mL ou 0,5 mL, conforme a bula do produto da temporada; 0,5 mL (≥3 a)Vacina de rotina, todo ano, de 6 meses a menores de 6 anos. 1ª vacinação: 2 doses com ≥30 dias de intervalo. A partir da 2ª temporada: dose única anual.
COVID-19IM — conforme a vacina disponível1ª dose (rotina: 6, 7 e 9 meses).

7 meses

VacinaVia / DoseObservações
COVID-19IM2ª dose.

9 meses

VacinaVia / DoseObservações
Febre AmarelaSC · 0,5 mL1ª dose; recomendada em todo o território nacional. Vírus vivo atenuado. Contraindicada <6 meses. Cautela 6–9 meses (risco EAVP). Em menores de 2 anos, não aplicar no mesmo dia que a SCR/SCRV (intervalo de 30 dias). Mãe vacinada que amamenta bebê < 6 meses: suspender o aleitamento por 10 dias.
COVID-19IM3ª dose.

12 meses

VacinaVia / DoseObservações
Tríplice Viral (SCR)SC · 0,5 mL1ª dose. Previne Sarampo, Caxumba, Rubéola. Vírus vivos atenuados. Adm. em sítio diferente da varicela.
Pneumocócica 20-valente (VPC20)IM · 0,5 mLReforço (12 meses). Crianças < 5 anos com esquema primário de VPC10 recebem o reforço com VPC20.
Meningocócica ACWY conjugadaIM · 0,5 mLDose aos 12 meses (substitui o reforço da MenC desde 01/07/2025 — NT nº 77/2025).

15 meses

VacinaVia / DoseObservações
DTP — 1º reforçoIM · 0,5 mLComponente de células inteiras (wP). Pode ser administrada com até 2 meses de antecipação ou 2 meses de atraso.
VIP — 1º reforçoIM · 0,5 mLPoliomielite inativada. A VOP não faz mais parte do calendário: todas as doses são com VIP.
Tríplice Viral (SCR) — 2ª doseSC · 0,5 mL2ª dose de sarampo, caxumba e rubéola.
Varicela (monovalente)SC · 0,5 mL1ª dose. Vírus vivo atenuado (Oka). Intervalo ≥28 dias de outras vacinas vivas adm. separadamente.
Hepatite AIM · 0,5 mLPNI: dose única aos 15 meses. SBP recomenda 2 doses (12 e 18 meses). Vírus inativado.

4 anos

VacinaVia / DoseObservações
DTP — 2º reforçoIM · 0,5 mLÚltimo reforço com pertussis de células inteiras. Após os 7 anos: usar somente dT ou dTpa (sem P de células inteiras).
VIP — 2º reforçoIM · 0,5 mL5ª dose de VIP, reincorporada ao PNI em 03/08/2026 (NT nº 64/2026). Resgate no SUS até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
Varicela — 2ª doseSC · 0,5 mL2ª dose. Reduz falhas vacinais de ~15% para <2%. Mínimo 3 meses após 1ª dose.
Febre Amarela — reforçoSC · 0,5 mLReforço se 1ª dose administrada antes dos 5 anos. Após isso: dose única vitalícia. Apenas 1 reforço no total.

9–19 anos (HPV)

VacinaVia / DoseObservações
HPV quadrivalente (4V)IM · 0,5 mL — deltóidePNI: dose única dos 9 aos 14 anos (meninas e meninos); resgate para quem tem 15 a 19 anos e nunca foi vacinado, até 31/12/2026. Imunocomprometidos, transplantados, HIV, oncológicos (9 a 45 anos): 3 doses (0, 2, 6 meses) — SUS/CRIE. Cobre HPV 6, 11, 16, 18. Previne verrugas genitais + cânceres cervical, anal, orofaríngeo, peniano.

11–19 anos (Adolescentes)

VacinaVia / DoseObservações
dT (SUS) · dTpa (SBP)IM · 0,5 mL — deltóideSUS: dT — completar 3 doses se necessário e reforço a cada 10 anos (5 anos em ferimento grave); a dTpa do SUS é para gestantes e profissionais de saúde. SBP: dTpa (preferida) ou dT aos 14 anos.
Meningocócica ACWY conjugadaIM · 0,5 mLDose única ou reforço dos 11 aos 14 anos (PNI).
Dengue — Qdenga®SC · 0,5 mL — 2 doses (0 e 3 meses)10 a 14 anos, nos municípios prioritários (PNI). A vacina do Butantan (Butantan-DV) está suspensa desde 08/06/2026.
InfluenzaIM · 0,5 mLAnual para grupos de risco e gestantes (no SUS, rotina até menores de 6 anos). A SBP recomenda para todos até 19 anos.
Febre AmarelaSC · 0,5 mLDose única se nunca vacinado. Sem reforço se 1ª dose aplicada com ≥5 anos.

Adultos (20–59 anos)

VacinaVia / DoseObservações
dT (adulto)IM · 0,5 mLReforço a cada 10 anos. dTpa substitui 1 dose de dT (dose única de dTpa na vida adulta se não recebeu na adolescência).
Hepatite B recombinanteIM · 1,0 mL (adulto)3 doses (0, 1, 6 meses) se não vacinado. Verificar sorologia anti-HBs 1–2 meses após série. DRC (pré-diálise e hemodiálise): 4 doses com o dobro da dose (40 mcg no adulto), 0/1/2/6 meses; anti-HBs após o esquema (Manual dos CRIE 2023).
SCR (Tríplice Viral)SC · 0,5 mLPNI: até 29 anos, 2 doses; 30 a 59 anos, 1 dose; profissionais de saúde, 2 doses em qualquer idade. Contraindicada na gestação.
Febre AmarelaSC · 0,5 mLDose única para não vacinados. Avaliar risco/benefício ≥60 anos.
InfluenzaIM · 0,5 mLAnual para grupos de risco, prof. saúde, gestantes e idosos.
VaricelaSC · 0,5 mL2 doses (0 e 30–60 dias) para suscetíveis (sem história da doença e sem vacinação prévia). Disponível no CRIE.

Gestantes

VacinaVia / Dose / TimingObservações
dTpa (acelular)IM · 0,5 mL — a partir de 20ª sem (ideal 27–36 sem)1 dose por gestação. Estratégia do "casulo" — protege RN antes de completar vacinação primária. Reduz coqueluche neonatal em ~90%.
Influenza (inativada)IM · 0,5 mL — qualquer trimestre1 dose anual. Reduz pneumonia, hospitalização materna e RN prematuro. Vacina inativada — segura em qualquer trimestre.
Hepatite BIM · 1,0 mL — 3 doses (0, 1, 6 m)Segura na gestação. Indicada para suscetíveis (anti-HBs <10 mUI/mL). Identificar HBsAg no pré-natal.
COVID-19 (mRNA ou viral)IM — qualquer trimestreRecomendada: 1 dose por gestação, em qualquer idade gestacional (intervalo mínimo de 6 meses da dose anterior). Reduz hospitalização materna e prematuridade.
Vacina VSR materna (Abrysvo®) SUS e rede privadaIM · 0,5 mL — a partir de 28 semanas gestacionaisDose única; no SUS desde 02/12/2025. Protege RN nos primeiros 6 meses contra RSV grave. Alternativa ao nirsevimabe no RN. Pode ser aplicada no mesmo dia que dTpa, influenza, COVID-19 e hepatite B (Guia Prático SBP/SBIm/FEBRASGO nº 44, 2026).
SCR, Varicela, FA—CONTRAINDICADAS na gestação (vacinas vivas). SCR e varicela: aguardar 28 dias após vacinação para engravidar.

Idosos (≥60 anos)

VacinaVia / DoseObservações
Influenza (inativada)IM · 0,5 mL — anualPrioridade máxima. Alta dose (Fluzone HD, 60 mcg/cepa) ou adjuvantada (FLUAD) preferíveis para ≥65 anos — 24% mais eficaz contra hospitalização.
Pneumocócica (VPP23 → VPC20)IM · 0,5 mLPNI 2026: enquanto houver estoque, VPP23 para ≥ 60 anos não vacinados acamados e/ou institucionalizados (e indígenas a partir de 5 anos sem vacina conjugada); esgotado o estoque, esses grupos passam a receber VPC20 (guia técnico da VPC20, 2026). Quem recebeu VPC20 não recebe VPP23.
dTIM · 0,5 mLReforço a cada 10 anos. Uma das doses pode ser substituída por dTpa.
Hepatite BIM · 1,0 mL3 doses se não vacinado (vacina universal no SUS, sem limite de idade).
Febre AmarelaSC · 0,5 mLAvaliar risco × benefício: maior risco de EAVP grave em ≥60 anos. Indicada se viagem para área de risco sem vacinação prévia.
COVID-19IM — atualização anualGrupos prioritários. Manter esquema atualizado conforme recomendação vigente do MS.
Herpes Zóster Recombinante (Shingrix®) Rede privadaIM · 0,5 mL — 2 doses (0 e 2–6 meses)Rede privada, a partir de 50 anos (e ≥ 18 anos imunocomprometidos); não incorporada ao SUS (CONITEC, jan/2026). Eficácia >90% contra HZ e >85% contra neuralgia pós-herpética. Preferida sobre a vacina viva atenuada (Zostavax).

ℹ Calendário PNI: Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 (23/07/2026) e notas técnicas posteriores. Consulte sempre gov.br/saude (calendário técnico) para a versão mais atualizada.

Calendário SBP — Vacinas Adicionais e Modificações

O Calendário de Vacinação da SBP 2026/2027 (Documento Científico nº 56, 28/07/2026) inclui as vacinas do PNI e acrescenta as recomendações abaixo, principalmente disponíveis na rede privada ou via CRIE em indicações especiais. Na SBP, a pólio é feita só com VIP, em 5 doses (2, 4, 6, 15 meses e 4–6 anos), e a DTPa acelular é preferida (menos reações).

Do nascimento aos 6 meses — Vacinas adicionais SBP

VacinaEsquema SBPVantagens / Indicações
Pneumocócica 20V ou 15V (VPC20 / VPC15) PrivadaEsquema 3+1: 2, 4, 6 m + reforço 12–15 mSBP 2026/2027: VPC20 ou VPC15 em 3+1 para quem começa até 6 meses. Vacinas intercambiáveis; esquema incompleto com VPC10 pode ser completado com VPC20 ou VPC15. Esquema completo de VPC13 em criança saudável não precisa ser refeito. O 2+1 do SUS (VPC20) também é esquema completo.
Meningocócica B (4CMenB / Bexsero®) PrivadaInício aos 2–12 meses: 2 doses (intervalo ≥ 2 meses) + reforço no 2º ano; 12–23 m: 2 doses + reforço 12–23 meses depois; ≥ 2 anos: 2 doses com 1 mês de intervaloRotina na SBP a partir de 2 meses; não disponível no SUS nem no CRIE (Manual dos CRIE 2023; Portaria SCTIE/MS nº 21/2026 não a incorporou) — rede privada. Pode ser aplicada no mesmo dia das outras vacinas; a febre é mais comum — o Reino Unido e a AEP recomendam paracetamol profilático nas 2 primeiras doses; a SBP não se pronuncia. Risco elevado: hipoasplenia, HIV, complemento.
Meningocócica ACWY conjugada Privada / SUS aos 12 mA partir de 2 meses (Menveo®) ou 6 semanas (Nimenrix®, MenQuadfi®); nº de doses no 1º ano conforme a marca + reforço aos 12 meses; reforços aos 5–6 anos e na adolescência (≥ 11 anos)SBP: rotina desde os 2 meses, preferida à MenC (maior espectro), inclusive como reforço de quem recebeu MenC. SUS: MenC aos 3 e 5 meses + ACWY aos 12 meses e dos 11 aos 14 anos.
Influenza inativada (tri ou quadrivalente) SBP a partir de 6m6–35 meses: 0,25 mL ou 0,5 mL IM (conforme a bula), anual ≥3 anos: 0,5 mL IM, anual 1ª vacinação: 2 doses com intervalo ≥4 semSBP recomenda anualmente para todas as crianças e adolescentes a partir de 6 meses (não apenas grupos de risco). Reduz hospitalização por influenza em lactentes em ~72%.
VSR — nirsevimabe (Beyfortus®) ou clesrovimabe (Enflonsia®)Dose única IM, de preferência na maternidade, em qualquer época do anoSBP: para o bebê cuja mãe não recebeu a vacina VSR na gestação (ou a recebeu < 14 dias antes do parto, ou é imunocomprometida), para todo prematuro < 37 semanas e para a criança de maior risco. Não é indicado de rotina ao bebê a termo saudável de mãe vacinada. Ver seção de anticorpos monoclonais.
COVID-19IM — versão mais atualizadaSBP: rotina de 6 meses a menores de 5 anos e, em qualquer idade, para quem tem comorbidade ou imunossupressão.

12–15 meses — Modificações SBP

VacinaEsquema SBPDiferença vs. PNI
Hepatite A — 2ª dose SBPIM · 0,5 mL — 18 meses (6 meses após 1ª dose)PNI oferece dose única; SBP recomenda 2 doses para maior durabilidade e proteção em comunidades com alta circulação viral.
SCR + varicela / Tetraviral (SCRV) PrivadaSC · 0,5 mL — 12 e 15 mesesSBP: aos 12 meses, SCR e varicela separadas (a SCRV como 1ª dose causa mais febre) ou SCRV; aos 15 meses, 2ª dose, preferencialmente com SCRV (intervalo mínimo de 3 meses). SUS: SCR aos 12 e 15 meses; varicela aos 15 meses e 4 anos.

Adolescentes e Adultos — Extras SBP

VacinaEsquemaIndicação / Observação
HPV9 nonavalente (Gardasil 9®) Privada9–19 anos: 2 doses (0 e 6 m); ≥ 20 anos e imunocomprometidos: 3 doses (0, 2, 6 m)Adiciona HPV 31, 33, 45, 52, 58 à cobertura do 4V. SBP prefere HPV9. Indicado para meninas e meninos. Quem recebeu 1 dose de HPV4 no SUS pode completar com 2 doses de HPV9, respeitando 6 meses da HPV4.
Dengue — Qdenga® (TAK-003) Privada · ANVISA 2023SC · 0,5 mL — 2 doses (0 e 3 meses)4–60 anos. Independente de sorostatus prévio. Vírus vivo atenuado tetravalente. Eficácia: ~80% hospitalização, ~83% dengue grave em soropositivos. Em soronegativos: ~52%. SBP e SBIm recomendam de 4 a 60 anos; no SUS, 10 a 14 anos. Contraindicada em gestantes, lactantes e imunocomprometidos.
Dengue — Butantan-DV (dose única) SUS—Suspensa pelo Ministério da Saúde em 08/06/2026 (NT nº 58/2026). Quem a recebeu recentemente deve ser observado por 21 dias para sinais de alarme de dengue, com notificação de eventos adversos. A Qdenga® segue normalmente.
Dengue — Dengvaxia® (CYD-TDV) Uso restritoSC · 0,5 mL — 3 doses (0, 6, 12 meses)Produção descontinuada pelo fabricante em 2026 (últimos lotes com validade até agosto de 2026): sem uso prático. Era restrita a soropositivos confirmados (no soronegativo aumenta o risco de dengue grave).
Herpes Zóster recombinante (Shingrix®) PrivadaIM · 0,5 mL — 2 doses (0 e 2–6 meses)≥50 anos imunocompetentes. ≥18 anos imunocomprometidos. Contém adjuvante AS01B. NÃO é vacina viva — pode ser usada em imunossuprimidos. Eficácia >90% mesmo em >80 anos.
Pneumocócica 15V (PCV15 / Vaxneuvance®) PrivadaIM · 0,5 mL — esquema igual à PCV13Adiciona sorotipos 22F e 33F à PCV13. SBP 2026/2027: VPC15 ou VPC20 em 3+1.
COVID-19 (mRNA, viral ou proteína)IM — atualização anualRotina de 6 meses a menores de 5 anos (SBP; SUS: 6, 7 e 9 meses) e grupos de risco em qualquer idade, com a versão mais atualizada.

ℹ Calendário SBP 2026/2027 (Documento Científico nº 56, Departamento de Imunizações): disponível em sbp.com.br. Algumas vacinas estão disponíveis no CRIE para grupos especiais (HIV, imunocomprometidos, asplenia).

Calendário AAP — EUA 2026 (Referência)

Principais diferenças em relação ao Brasil, pelo calendário próprio da AAP de 2026 (em 2026 o CDC passou várias vacinas de rotina para decisão compartilhada; a AAP não acompanhou). Calendário completo em aap.org/ImmunizationSchedule.

Vacina / PontoEUA (AAP/ACIP)Brasil (PNI/SBP)
BCGNão usada rotineiramenteAo nascer (PNI)
Pertussis (coqueluche)DTaP (acelular) a partir de 2 meses — 5 doses (2, 4, 6, 15–18m, 4–6a)DTP células inteiras (wP) — 3 doses + 2 reforços; dTpa na adolescência
PneumocócicaPCV15 (Vaxneuvance) ou PCV20 (Prevnar 20) — substituíram a PCV13 desde 2023VPC20 no PNI (2+1, desde junho de 2026; transição com VPC10); VPC20 ou VPC15 em 3+1 (SBP/privada)
RSV neonatalNirsevimabe ou clesrovimabe para todo lactente < 8 meses na 1ª temporada cuja mãe não foi vacinada (ou foi < 14 dias antes do parto); 8–19 meses de alto risco: nirsevimabe (AAP 2025–26); palivizumabe descontinuado em 31/12/2025Abrysvo® na gestante ≥ 28 sem (SUS desde dez/2025); nirsevimabe no SUS desde fev/2026 para prematuros ≤ 36s6d e comorbidades; SBP: nirsevimabe ou clesrovimabe se a mãe não foi vacinada
RotavírusRV1 (Rotarix, 2 doses: 2, 4m) ou RV5 (RotaTeq, 3 doses: 2, 4, 6m)VORH = RV1 (Rotarix), 2 doses (2 e 4m); SBP: RV1 ou RV5
Hepatite A2 doses universais: 1ª dose 12–23m; 2ª dose 6–18 meses depoisPNI: 1 dose (15m); SBP: 2 doses
MenACWYRotina: 11–12 anos (1ª dose) + reforço 16 anosPNI: MenC 3 e 5 m + MenACWY 12 m e 11–14 a; SBP: MenACWY desde 2 m, reforços 5–6 a e ≥ 11 a
Meningocócica B16–23 anos — decisão compartilhada (preferência 16–18a); obrigatória em grupos de riscoSBP: rotina a partir de 2 meses, 2 doses + reforço (privada); não disponível no SUS nem no CRIE
HPVHPV9 (nonavalente) — início recomendado aos 9–12 anos; 2 doses se iniciar até 14 anos (3 doses a partir de 15); até 26 anos rotineiro; 27–45 anos decisão compartilhadaHPV4 dose única 9–14 a (PNI; resgate 15–19 a até dez/2026); HPV9 2 doses 9–19 a (SBP, privada)
DengueNenhuma: a CYD-TDV (Dengvaxia), usada só em Porto Rico (9–16 anos soropositivos), foi descontinuada pelo fabricante (últimos lotes com validade até agosto de 2026)Qdenga® (SBP 4–60 a; SUS 10–14 a); Butantan-DV suspensa desde 08/06/2026
Influenza anualA partir de 6 meses para todos; LAIV (nasal vivo) aprovado para 2–49 anos saudáveisSUS: rotina de 6 m a < 6 a + gestantes e grupos de risco; SBP: todos de 6 m a 19 a; sem LAIV aprovado
ZósterShingrix (recombinante): ≥50 anos (2 doses); Zostavax descontinuado nos EUAShingrix aprovado ANVISA; disponível privada
RSV adulto (≥60a)Abrysvo (Pfizer) ou mResvia (Moderna): 1 dose; Arexvy (GSK): 1 dose — decisão compartilhada ≥60 anosArexvy® e Abrysvo® aprovadas pela ANVISA para ≥ 60 anos (rede privada); não no PNI

ℹ Fonte: AAP, Recommended Childhood and Adolescent Immunization Schedule: United States, 2026 (Pediatrics 2026;157(3):e2025075754). PCV20 (Prevnar 20) cobre 20 sorotipos — no PNI brasileiro desde junho de 2026.

Populações Especiais — Prematuros

VacinaRecomendação em prematuros
BCGAguardar peso > 2 kg (SBP 2026/2027) E estabilidade clínica (sem ventilação, sem uso de corticoide). Prematuros <36 sem hospitalizados: aplicar na alta ou ambulatório.
Hepatite B (ao nascer)Mãe HBsAg–: aplicar ao nascer; se peso ≤ 2 kg ou < 33 semanas, fazer 4 doses (0, 2, 4, 6 meses) (SBP 2026/2027). Mãe HBsAg+: SEMPRE aplicar HepB (0,5 mL) + IgHB (0,5 mL) nas primeiras 12h, independente do peso.
Demais vacinas do calendárioUsar idade cronológica (não corrigida) para todas as outras vacinas. Iniciar pentavalente, VIP e pneumocócica aos 2 meses e MenC aos 3 meses cronológicos, mesmo que ainda hospitalizado (exceto BCG; rotavírus só na alta). Pneumocócica no prematuro ≤ 36 semanas e 6 dias (até 23 meses): VPC20 em 3+1 (2, 4, 6 e 12 meses), pelo CRIE/maternidade (Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS).
RotavírusPode ser administrada a partir de 6 semanas cronológicas. Não aplicar durante a internação; vacinar na alta, se ainda dentro da idade-limite (igual à do termo).
InfluenzaA partir de 6 meses cronológicos. Prioridade alta — maior risco de hospitalização.
Palivizumabe / NirsevimabeNirsevimabe para todo prematuro < 37 semanas (no SUS, até 36 semanas e 6 dias, sem limite de idade, desde fevereiro de 2026, em qualquer época do ano, na 1ª sazonalidade — Protocolo de Uso, Portaria SCTIE/MS nº 14/2026, e NT nº 109/2025; divergência: o Guia de estratégia do MS, 1ª ed. revisada, 2026, cita < 6 meses; SBP: até 12 meses), de preferência antes da alta, independentemente da vacinação materna. Palivizumabe: apenas na regra de transição de 2026. Ver seção de anticorpos monoclonais.
Vacinas vivas (SCR, Varicela, FA, Rotavírus)Rotavírus: pode usar conforme limite de idade. SCR e varicela: idade cronológica habitual (12m, 15m). FA: 9m cronológicos.

Populações Especiais — Imunocomprometidos

Vacinas vivas geralmente contraindicadas em imunossupressão grave. Vacinas inativadas são seguras mas podem ter menor resposta imune — ideal vacinar antes da imunossupressão quando possível.

⚠ Regra geral: Vacinas vivas atenuadas (SCR, Varicela, FA, Rotavírus, BCG, VOP, LAIV) são CONTRAINDICADAS em imunossupressão grave. Vacinas inativadas são seguras. Verificar o grau de imunocomprometimento antes de cada dose.

HIV / AIDS

VacinaSem imunossupressão grave: CD4 > 15% (até 5 anos) ou > 200/mm³ (acima de 6 anos), há pelo menos 6 mesesImunossupressão grave: CD4 ≤ 15% (até 5 anos) ou ≤ 200/mm³ (acima de 6 anos)
SCRIndicada 2 dosesContraindicada
VaricelaIndicada 2 doses (CRIE) — varicela monovalente, não a tetraviral (SBP 2020)Contraindicada
Febre AmarelaCautela — avaliar risco/benefício conforme o CD4 da idade e o risco de exposição (CRIE)Contraindicada
InfluenzaIndicada — anual, inativadaIndicada — inativada
PneumocócicaVPC20 na RIE/CRIE (Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS): esquema conforme a idade (a partir de 5 anos, dose única); quem recebe VPC20 não recebe mais VPP23. Enquanto houver estoque, ainda se usa VPC13 → VPP23 (a partir de 2 anos, ≥ 8 semanas após a VPC; 2ª VPP23 5 anos depois). Prioridade alta.
MeningocócicaMenACWY: 2 doses com 2 meses de intervalo + reforço a cada 5 anos. MenB: 2 doses. Alto risco de doença meningocócica.
Hepatite A e BIndicadas; verificar sorologia. HepB: dose dupla (40 mcg) se CD4 <350 ou imunossupressão importante. Anti-HBs após série.
HPV3 doses (0, 2, 6m) dos 9 aos 45 anos (SUS/CRIE).
HibIndicada se nunca vacinado. Dose única para adultos com HIV.

ℹ Critério pediátrico (SBP, Departamento de Imunizações — Imunizações em crianças e adolescentes que vivem com HIV/Aids, Documento Científico, 2ª atualização, 2020): tríplice viral e varicela só com CD4 > 15% até 5 anos e > 200/mm³ acima de 6 anos, estável há pelo menos 6 meses. O corte isolado de 200/mm³ é critério de adulto.

Transplantados de Órgão Sólido (TOS)

⚠ Ideal: completar calendário vacinal ANTES do transplante (≥2 semanas para inativadas; ≥4 semanas para vivas — Manual dos CRIE, 2023). Após transplante: vacinas vivas contraindicadas por mínimo 24 meses e enquanto em imunossupressão.

VacinaPré-transplantePós-transplante (em IS)
Influenza (inativada)CompletarIndicada — anual; iniciar ≥6 meses pós-Tx
Pneumocócica (VPC20; VPC13 + VPP23 na transição)Completar sérieIndicada — quem recebe VPC20 não recebe VPP23 (Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS)
Hepatite A e BCompletar + verificar sorologiaInativadas — OK
SCR, Varicela, FA, BCGCompletar ≥4 sem antesCONTRAINDICADAS
MeningocócicaCompletarIndicada (inativada)
HPVCompletar (SUS: 3 doses, 9 a 45 anos)Inativada — OK
Zóster (Shingrix)Recomendada ≥50aRecomendada — não é viva

Pacientes Oncológicos em Quimioterapia

AspectoRecomendação
Timing idealVacinas inativadas: aguardar ≥3 meses após QT (resposta adequada). Se urgência: aplicar ≥2 sem antes do próximo ciclo. Vacinas vivas: contraindicadas durante QT e por 3 a 6 meses após o término (Manual dos CRIE 2023: pelo menos 3 meses).
InfluenzaAnual, inativada. Aplicar no intervalo entre ciclos (≥2 sem após QT). Profissionais de saúde e contactantes devem ser vacinados também.
PneumocócicaVPC20 na RIE/CRIE (Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS): esquema conforme a idade (a partir de 5 anos, dose única); quem recebe VPC20 não recebe mais VPP23. Enquanto houver estoque, ainda se usa VPC13 → VPP23 (a partir de 2 anos, ≥ 8 semanas após a VPC; 2ª VPP23 5 anos depois). Completar antes da QT se possível.
SCR e VaricelaContraindicadas durante QT e por 3 a 6 meses após o término (Manual dos CRIE 2023: pelo menos 3 meses). Verificar imunidade e revacinar após período seguro se suscetível.
Febre AmarelaContraindicada. Se exposição de risco: usar IgIV como alternativa para proteção passiva.

Uso de Imunossupressores / Biológicos

MedicamentoImpacto sobre vacinas vivasObservações
Corticosteroides sistêmicos≥20 mg/dia prednisona (ou ≥2 mg/kg/dia em <10 kg) por ≥2 semanas: Contraindicadas vivas <20 mg/dia: geralmente segurasAguardar ≥1 mês após suspensão de dose alta para vacinar com vivas.
Anti-TNF (adalimumabe, etanercepte, infliximabe)Contraindicadas vivas durante usoCompletar vacinação ≥4 sem antes de iniciar. Influenza e pneumocócica: indicadas mesmo em uso.
Rituximabe (anti-CD20)Contraindicadas vivas ; inativadas com resposta reduzidaAguardar ≥6 meses após última dose para vacinas inativadas com melhor resposta; vivas: pelo menos 6 meses após a última dose (Manual dos CRIE 2023).
Metotrexato (≥0,4 mg/kg/sem ou ≥20 mg/sem)Cautela com vivas; avaliar caso a casoBaixas doses: geralmente OK para inativadas. Altas doses: igual ao corticoide em altas doses.
Inibidores de JAK (baricitinibe, tofacitinibe, upadacitinibe)Contraindicadas vivasVacinar antes de iniciar. Zóster (Shingrix): indicado pois não é viva.

Populações Especiais — Asplenia e Hipoasplenia

Inclui: esplenectomia cirúrgica, asplenia funcional (doença falciforme, doença de Gaucher), radioterapia esplênica, hiposplenismo (doença celíaca, DII, lúpus).

⚠ Asplênico/hipospênico: risco de sepse fulminante por encapsulados (pneumococo, meningococo, Hib) — mortalidade até 50%. Vacinação é medida essencial de proteção.

VacinaRecomendaçãoTiming (esplenectomia eletiva)
Pneumocócica (VPC20; VPC13 + VPP23 na transição)VPC20 na RIE/CRIE (Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS): esquema conforme a idade (a partir de 5 anos, dose única); quem recebe VPC20 não recebe mais VPP23. Enquanto houver estoque, ainda se usa VPC13 → VPP23 (a partir de 2 anos, ≥ 8 semanas após a VPC; 2ª VPP23 5 anos depois).≥2 semanas antes da cirurgia
Meningocócica ACWY2 doses com 2 meses de intervalo; reforço a cada 5 anos enquanto persistir asplenia≥2 semanas antes
Meningocócica B2 doses (0 e 1–6m) + reforço a cada 3 anos em <25 anos≥2 semanas antes
Hib (Haemophilus influenzae b)1 dose para não vacinados ou com vacinação incompleta (<5 anos)≥2 semanas antes
InfluenzaAnual, sem exceçõesQualquer momento
Hepatite A e BIndicadas; verificar sorologia préviaCompletar antes se possível
Profilaxia antibióticaPenicilina V oral ou amoxicilina: por pelo menos 2 anos após a esplenectomia (duração individualizada); doença falciforme: do diagnóstico (a partir de 3 meses) aos 5 anos — penicilina V 125 mg 12/12 h até 3 anos ou 15 kg e 250 mg 12/12 h acima; benzatina a cada 4 semanas (300.000 UI até 10 kg, 600.000 UI de 10 a 20 kg, 1.200.000 UI acima de 20 kg) só se a via oral for impossível; alergia: eritromicina 40 mg/kg/dia, 12/12 h (PCDT do MS, Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 16/2024)—

Populações Especiais — Doença Renal Crônica e Diálise

VacinaRecomendação específica
Hepatite BPré-diálise e hemodiálise: 4 doses IM com o dobro da dose para a idade, esquema 0/1/2/6 meses. Sorologia anti-HBs após o esquema; se não reagente (< 10 mUI/mL), repetir o esquema. Hemodiálise: anti-HBs anual e reforço se < 10 mUI/mL (Manual dos CRIE, 6ª ed., MS 2023, Quadro 9).
Hepatite A2 doses para suscetíveis; maior risco de hepatite A grave em hepatopatia associada.
InfluenzaAnual; alta dose (≥65 anos) ou adjuvantada se disponível.
PneumocócicaVPC20 na RIE/CRIE (Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS): esquema conforme a idade (a partir de 5 anos, dose única); quem recebe VPC20 não recebe mais VPP23. Enquanto houver estoque, ainda se usa VPC13 → VPP23 (a partir de 2 anos, ≥ 8 semanas após a VPC; 2ª VPP23 5 anos depois).
COVID-19Atualizar esquema; maior morbimortalidade em DRC.
SCR, Varicela, FASeguras se imunocompetente (sem IS); verificar sorologia prévia.

Populações Especiais — Hepatopatia Crônica

VacinaRecomendação
Hepatite APrioridade máxima — Hepatite A em portador de hepatopatia crônica: mortalidade 40–70x maior. 2 doses para todos os suscetíveis.
Hepatite B3 doses (0, 1, 6m) · 1,0 mL se não vacinado. Se cirrótico ou resposta inadequada: dose dupla (40 mcg).
InfluenzaAnual — risco de descompensação hepática por influenza.
PneumocócicaHepatopatia crônica é indicação de CRIE: VPC20 (quem a recebe não recebe VPP23); VPC13 + VPP23 enquanto durar o estoque (Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS).
FA, SCR, VaricelaAvaliar grau de imunossupressão. Cirrótico Child-Pugh A sem IS: geralmente seguras. Child-Pugh C: cautela com vivas.

Populações Especiais — Diabetes Mellitus

VacinaRecomendação
InfluenzaAnual — DM aumenta risco de complicações graves. Reduz hospitalização em ~50%.
PneumocócicaIndicação de CRIE para todos com DM: VPC20 (quem a recebe não recebe VPP23); VPC13 + VPP23 enquanto durar o estoque (Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS).
Hepatite BRecomendada para adultos com DM não vacinados (especialmente <60 anos — exposição frequente a glicosímetros, equipamentos compartilhados). ACIP/AAP: até 60 anos rotineiro; >60 anos: decisão individual.
Herpes Zóster (Shingrix)≥50 anos com DM: indicada (maior incidência e gravidade de HZ).
COVID-19Atualizar — risco aumentado de COVID grave.
Hepatite ARecomendada para DM tipo 1 e 2 não vacinados (maior risco de surtos hospitalares).

Outras Condições Especiais

CondiçãoVacinas prioritárias adicionais
Cardiopatia / Pneumopatia crônicaInfluenza (anual), Pneumocócica (VPC20 no CRIE, sem VPP23 depois; VPC13 + VPP23 enquanto durar o estoque — Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS), COVID-19 atualizado. Nirsevimabe < 2 anos: cardiopatia com repercussão hemodinâmica e doença pulmonar crônica da prematuridade (SUS, na sazonalidade). FA: sem contraindicação específica, mas avaliar estado geral.
Fibrose CísticaInfluenza anual, Pneumocócica, Hepatite A e B, Varicela (se suscetível). Nirsevimabe para < 2 anos com fibrose cística (SUS, na sazonalidade, sem exigir doença pulmonar grave; SBP: qualquer época); palivizumabe só na regra de transição de 2026. COVID-19.
Síndrome de Down (Trissomia 21)Calendário padrão + adicionais do CRIE para trissomias (Manual dos CRIE 2023, Quadro 8): Influenza anual, Pneumocócica (VPC20 na RIE pela Nota Técnica nº 52/2026, sem VPP23 depois; VPC13 + VPP23 enquanto durar o estoque), Varicela (suscetíveis), Hepatite A (2 doses) e Meningocócica C (1 dose). Hepatite B: só a da rotina, sem sorologia de rotina. Nirsevimabe para < 2 anos com síndrome de Down, com ou sem cardiopatia (SUS, na sazonalidade; SBP: qualquer época). Ver Vacinação da criança e do adolescente com síndrome de Down.
Deficiência de complemento (C5–C9, properidina)Alto risco para doença meningocócica — MenACWY (2 doses + reforço a cada 5 anos) + MenB (2 doses). Pneumocócica, Hib, Influenza.
Doença Inflamatória Intestinal (DII)Influenza, Pneumocócica, Hepatite A e B, HPV. SCR e Varicela: se imunocompetente. Zóster (Shingrix): se ≥50 anos em IS.
Gestação com condição de riscoAlém do calendário da gestante: Hepatite A (se suscetível), Pneumocócica (se DM, pneumopatia, nefropatia).
Profissionais de saúdeInfluenza anual, HepB (confirmar imunidade), SCR (2 doses), Varicela (2 doses se suscetível), dTpa (1 dose), FA (se área endêmica), COVID-19 atualizado.
Contatos de imunocomprometidosInfluenza anual, SCR, Varicela — proteger o contactante imunocomprometido por imunidade de rebanho. A VOP não é mais usada no calendário brasileiro (VIP em todas as doses).

Catch-up — Vacinação de Recuperação

Para crianças e adultos com esquema vacinal incompleto ou atrasado. Princípio fundamental: nunca reiniciar uma série — sempre continuar de onde parou.

ℹ O número total de doses necessárias depende da idade de início do esquema, não apenas do número de doses já recebidas. Consulte sempre a tabela de catch-up do PNI ou da SBP.

PrincípioDetalhamento
Não reiniciar sériesSe uma série foi iniciada, continuar do ponto onde parou, independente do tempo decorrido entre doses (exceto rotavírus — tem limite de idade absoluto).
Limite por doseRespeitar intervalo mínimo entre doses (não o máximo). Doses administradas com intervalo menor que o mínimo não são válidas e devem ser repetidas.
Número máximo de vacinas/visitaNão há limite definido. Aplicar todas as vacinas pendentes na mesma visita (sítios diferentes). Reduz chances de abandono.
RotavírusÚnica vacina com limite etário absoluto: 1ª dose até 11 meses e 29 dias; última até 23 meses e 29 dias (SBP; “Vacinas – Atualizações 2026”). Fora desse limite: NÃO administrar.
Vacinas vivas simultâneasAplicar no mesmo dia ou aguardar ≥28 dias. Aplicar vacinas vivas com intervalo de 1–27 dias invalida a 2ª dose administrada.

Intervalos Mínimos Entre Doses

VacinaIntervalo mínimo entre doses da sérieIntervalo mínimo dose → reforço
Hepatite B1ª → 2ª: 4 semanas 2ª → 3ª: 8 semanas3ª dose ≥16 semanas após a 1ª
DTP/DTaP/Pentavalente4 semanas entre todas as doses da série primáriaReforço: ≥6 meses após última dose da série
VIP/IPV4 semanas entre doses da sérieReforço: ≥6 meses após 3ª dose
Pneumocócica (PCV)4 semanas entre doses da sérieReforço: ≥8 semanas após última dose da série
PCV → PPSV23—≥8 semanas após VPC10/VPC13 (a partir de 2 anos); não se aplica VPP23 após VPC20 (Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS)
Meningocócica C / ACWY conjugada4–8 semanas (dependendo do produto)≥8 semanas após série
Meningocócica B (Bexsero)≥4 semanas (início ≥ 2 anos) a ≥ 8 semanas (esquema de 2 doses no 1º ano)Início no 1º ano: reforço no 2º ano, ≥ 2–6 meses após a série; início aos 12–23 meses: 12–23 meses após a série (bula/SBP)
SCR (Tríplice Viral)≥28 dias (4 semanas) entre 1ª e 2ª dose—
VaricelaMenores de 13 anos: ≥ 3 meses (SBP 2026/2027; dose aplicada com ≥ 28 dias não precisa ser repetida — ACIP); a partir de 13 anos: ≥ 28 dias—
HPV2 doses: ≥6 meses; 3 doses: 2ª dose ≥4 sem após 1ª; 3ª dose ≥12 sem após 2ª e ≥24 sem após 1ª—
Influenza≥4 semanas (na 1ª temporada em <9 anos)—
Hepatite A≥6 meses entre 1ª e 2ª dose—
Febre Amarela—Dose única → reforço se 1ª dose <5 anos (apenas 1 reforço na vida)
Shingrix (Zóster)≥2 meses entre 1ª e 2ª dose; máx. 6 meses—
Dengue (Qdenga)3 meses entre 1ª e 2ª dose—
2 vacinas vivas (se não simultâneas)≥28 dias entre qualquer 2 vacinas vivas não administradas no mesmo dia
IgIV → vacina vivaAguardar 8–11 meses após IgIV, conforme a dose (Manual dos CRIE 2023, Tabela 5: 300–400 mg/kg → 8; 1 g/kg → 10; 1,6–2 g/kg → 11 meses)

Catch-up por Vacina — Guia Rápido

VacinaSe iniciar 7–11 mesesSe iniciar 12–59 mesesSe iniciar ≥7 anos (crianças) / adultos
Hepatite B3 doses (0, 1–2, 6–18m)3 doses (0, 1, 6m)3 doses adulto (0, 1, 6m) — 1 mL
DTP / dTpaContinuar série; usar DTP até 7 anos, dTpa/dT apósCompletar para 5 doses totais3 doses de Td (0, 1–2m, 6–12m) com 1 dose de Tdap; reforço Td a cada 10a
PneumocócicaPNI (guia VPC20): sem doses prévias, 5–10 meses: 2 doses + reforço aos 12 meses; 11 meses: 1 dose + reforçoPNI: sem doses prévias, dose única de VPC20 (até 4 anos, 11 meses e 29 dias); com D1 ou D1+D2: 1 reforço de VPC20Criança ≥ 5 anos saudável: não indicada; com condição de risco: VPC20 no CRIE (dose única a partir de 5 anos). Adultos: conforme CRIE/SBIm
SCRNão indicada antes de 12 meses (em surto, dose a partir de 6 meses que não conta)2 doses com ≥28 dias de intervaloPNI: até 29 anos, 2 doses (≥28 dias); 30 a 59 anos, 1 dose
VaricelaNão indicada antes de 12 meses2 doses, com intervalo mínimo de 3 meses (SBP)Até 12 anos: 2 doses com ≥ 3 meses; a partir de 13 anos: 2 doses com ≥ 28 dias; suscetível sem história da doença
Meningocócica C2 doses + reforço (dependendo da idade)1–2 doses (ver esquema por produto)1 dose; avaliar reforço a cada 5 anos se risco persistir
Hepatite ANão indicada antes de 12 meses2 doses (≥6 meses entre elas) (SBP); PNI: dose única até 4 anos, 11 meses e 29 dias2 doses (≥6 meses entre elas)
HPV——PNI: dose única de 9 a 14 anos (resgate de 15 a 19 anos até 31/12/2026). SBP: HPV9 em 2 doses de 9 a 19 anos; 3 doses a partir de 20 anos. Imunocomprometidos: 3 doses (9 a 45 anos, SUS/CRIE)

Vacinas para Viajantes

Além do calendário habitual atualizado, viajantes devem receber vacinas específicas conforme destino, atividade e duração da viagem. Consultar CRIE, clínicas de medicina do viajante ou Anvisa para requisitos de entrada.

⚠ Febre Amarela: exigida por muitos países (África e América do Sul) como requisito de entrada. Certificado Internacional de Vacinação (CIVP) válido para toda a vida após dose única. Verificar sempre a lista atualizada da OMS.

Febre Tifoide

AspectoDetalhe
IndicaçãoViajantes para Ásia do Sul (Índia, Paquistão, Bangladesh), África subsaariana, América Central e do Sul (regiões rurais ou de saneamento precário). Longa duração ou condições de exposição.
Vacina oral (Ty21a — Vivotif®)Cápsulas entéricas: 4 cápsulas em dias alternados (1, 3, 5, 7). ≥6 anos. Não administrar com antibióticos. Completar ≥1 semana antes da viagem. Reforço a cada 5 anos (oral).
Vacina parenteral (Vi-polissacarídeo — Typhim Vi®)0,5 mL IM — dose única. ≥2 anos. Completar ≥2 semanas antes. Reforço a cada 2–3 anos se risco persistir.
Vacina conjugada (Vi-TT — Typbar TCV®)0,5 mL IM — dose única. ≥6 meses. Imunogenicidade superior às anteriores. Aprovada OMS; em processo de registro no Brasil.
Disponibilidade no BrasilVacina parenteral disponível em clínicas privadas de medicina do viajante. Oral em algumas clínicas especializadas.

Cólera

AspectoDetalhe
IndicaçãoTrabalhadores humanitários, profissionais de saúde em áreas de surto, viajantes para áreas com saneamento extremamente precário (Ásia, África, Haiti).
Vacina oral inativada (Dukoral® — WC-rBS)Adultos e crianças ≥6 anos: 2 doses com intervalo 1–6 semanas. Crianças 2–5 anos: 3 doses. Completar ≥1 semana antes. Proteção cruzada parcial contra diarreia do viajante por ETEC. Reforço: 2 anos (adultos), 6 meses (crianças 2–5 anos).
DisponibilidadeDisponível em clínicas de medicina do viajante; não no PNI rotineiro.

Encefalite Japonesa

AspectoDetalhe
IndicaçãoViajantes para Ásia e Pacífico com: >4 semanas em área rural/agrícola; atividades ao ar livre ao entardecer/noite; exposição a arrozais ou criação de suínos. Países: Índia, Tailândia, Vietnam, China, Indonésia, Japão (rural).
Vacina (IXIARO® — vírus inativado, cultivado em células Vero)≥2 meses: 2 doses (dias 0 e 28). IM · 0,25 mL (<3 anos); 0,5 mL (≥3 anos). Completar ≥1 semana antes. Reforço: 1ª dose de reforço após 1–2 anos (se risco contínuo); subsequentes a cada 10 anos.
DisponibilidadeDisponível em clínicas especializadas. Não no CRIE/PNI rotineiro.

Encefalite por Carrapato (TBE)

AspectoDetalhe
IndicaçãoViajantes para Europa Central/Oriental (Áustria, Alemanha, República Tcheca, Polônia, países bálticos), Rússia e Ásia (especialmente em atividades ao ar livre em floresta no verão).
FSME-IMMUN® / Encepur®3 doses: 0, 1–3 meses, 9–12 meses. Esquema rápido: 0, 7, 21 dias + reforço 12–18 meses. IM · 0,5 mL (≥16 anos); 0,25 mL (<16 anos). 1º reforço 3 anos após a 3ª dose; depois, a cada 5 anos (<60 anos) ou 3 anos (≥60 anos).
DisponibilidadeDisponível em clínicas especializadas no Brasil (importação autorizada).

Raiva — Pré-exposição (PrEP)

AspectoDetalhe
IndicaçãoViajantes por >1 mês em área endêmica com acesso limitado a serviço médico; aventureiros em regiões remotas; veterinários, biólogos, pesquisadores; crianças em área endêmica (maior risco de mordida).
EsquemaMS (NT nº 8/2022) e OMS: 2 doses (dias 0 e 7), IM (dose total de 0,5 ou 1,0 mL, conforme o fabricante; deltóide) ou ID. Vacina de cultivo celular (células Vero ou diploides humanas). Em profissionais de risco, sorologia a partir do 14º dia após a última dose (título ≥ 0,5 UI/mL).
ReforçoSomente para profissionais de alto risco com exposição contínua: dosagem de anticorpos a cada 2 anos; reforço se <0,5 UI/mL. Viajantes sem risco contínuo: não necessitam reforço rotineiro após série completa.
Vantagem PrEPApós exposição: apenas 2 doses (dias 0 e 3) — sem necessidade de HRIG. Simplifica PPE em áreas remotas.
DisponibilidadeCRIE: disponível para profissionais de risco. Rede privada: clínicas especializadas.

Meningocócica ACWY — Viajantes

Destino / SituaçãoRecomendação
Hajj / Umrah (Arábia Saudita)Obrigatória para entrada — exigida pelo governo saudita. MenACWY conjugada ≥10 dias antes. Certificado exigido.
Cinturão da meningite (África subsaariana)Recomendada — países: Níger, Mali, Burkina Faso, Chade, Sudão, Etiópia, Nigéria (norte), Camarões (norte). Maior risco na estação seca.
Universitários nos EUA / Europa (dormitórios)Alguns estados/universidades exigem MenACWY e/ou MenB.
Dose1 dose (≥2 anos) se última dose há >5 anos. Se <7 anos na época da 1ª dose: reforço após 3 anos.

ℹ Para planejamento de vacinação de viajantes: Consultar Anvisa (portal.anvisa.gov.br), OMS Yellow Book (who.int), CDC Traveler's Health (cdc.gov/travel) e clínicas de medicina do viajante credenciadas.

Imunoglobulinas

Imunoglobulina Humana Normal (IgIV / IGIV / IVIG) Imunoglobulina polivalente — via IV ou SC

Mecanismo Imunidade passiva humoral polivalente (IgG) derivada de plasma humano. Contém anticorpos contra centenas de antígenos.

Indicações Imunodeficiências primárias: Agamaglobulinemia de Bruton, DCID, imunodeficiência comum variável (IDCV) Kawasaki: Dentro dos primeiros 10 dias de doença PTI aguda: Plaquetopenia imune com sangramento Guillain-Barré: Equivalente à plasmaférese Dermatomiosite / Polimiosite refratárias Miastenia gravis: Crise miastênica TCTH / Transplante: Profilaxia infecções (níveis IgG <400 mg/dL)

Doses Imunodeficiência: 400–600 mg/kg/mês IV (manter IgG sérica >500 mg/dL) Kawasaki: 2 g/kg em dose única IV (infusão 10–12h) + AAS PTI aguda: 0,8–1 g/kg IV dose única (ou 0,4 g/kg/dia × 5 dias) Guillain-Barré: 0,4 g/kg/dia IV × 5 dias Dermatomiosite: 2 g/kg/mês IV (dividido em 2–5 dias)

Obs. importantes Intervalo após IgIV para vacinas vivas (SCR, varicela), conforme a dose recebida (Manual dos CRIE 2023, Tabela 5): 300–400 mg/kg → 8 meses; 1 g/kg → 10 meses; 1,6–2 g/kg (ex.: Kawasaki) → 11 meses.

Imunoglobulina Anti-Hepatite B (IgHB / HBIG) Imunoglobulina hiperimune — via IM

Indicações RN de mãe HBsAg+ (qualquer HBeAg) — independente do peso ou prematuridade Exposição percutânea/mucosa ao HBsAg+ em não vacinado ou não respondedor Parceiro sexual de caso agudo de Hepatite B (em até 14 dias da última exposição)

Doses RN: 0,5 mL IM (vasto lateral da coxa) — nas primeiras 12h de vida + HepB Adultos / crianças: 0,06 mL/kg IM (máx. 5 mL) — em sítio diferente da vacina de HepB Em até 24h da exposição (máx. eficácia); até 7 dias na exposição percutânea ou de mucosa e até 14 dias na exposição sexual (Manual dos CRIE 2023)

Eficácia Conjunto IgHB + HepB ao nascer: 95% de prevenção de transmissão vertical do HBV em RN de mães HBsAg+.

Imunoglobulina Antirrábica Humana (HRIG / SAR) Imunoglobulina hiperimune — via IM e infiltração local

Indicações Profilaxia pós-exposição (PPE) em pacientes não vacinados anteriormente contra raiva ou com esquema incompleto. Exposição categoria III (OMS): mordida grave, contato com mucosa/saliva, arranhadura com sangramento.

Dose 20 UI/kg (dose total): infiltrar o máximo possível ao redor e dentro da(s) ferida(s); o restante: IM em sítio distante da vacina (ex.: coxa se vacina no deltóide). Dose máxima: NÃO exceder 20 UI/kg (não aumentar para "garantir mais"). Se ferida pequena e dose total excede o que pode ser infiltrado: restante IM.

Timing crítico Administrar no dia 0 com a 1ª dose da vacina antirrábica. NÃO administrar após o 7º dia da 1ª dose da vacina (interfere na resposta imune ativa). NÃO repetir em nenhuma circunstância.

Vacinados previamente Esquema completo anterior: apenas 2 doses de vacina (dias 0 e 3) — SEM HRIG. Resposta anamnéstica rapidamente supera qualquer exposição.

Disponibilidade CRIE (SUS), CEVAP, hospitais de referência. Na ausência de HRIG: não adiar vacina; buscar imunoglobulina ou soro antirrábico (SAR) em outra unidade.

Imunoglobulina Anti-Tetânica Humana (IGHAT / TIG) Imunoglobulina hiperimune — via IM

Indicações Profilaxia: Feridas tetanígenas (sujas, punctórias, tecido desvitalizado, mordeduras, queimaduras) em pacientes com <3 doses de toxoide tetânico ou sem documentação. Tratamento: Tétano acidental confirmado ou suspeito.

Doses Profilaxia: 250 UI IM — dose única (Manual dos CRIE 2023; Guia de Vigilância em Saúde, MS 2024) Tratamento (tétano acidental): 500 UI IM, dose única; a critério médico, dose maior, até 6.000 UI (Guia de Vigilância em Saúde, MS 2024)

Obs. Sempre administrar em sítio anatômico diferente da vacina dT/dTpa. Aplicar concomitantemente com a vacina. Ferida limpa com ≥3 doses e última dose <10 anos: SEM IGHAT.

Imunoglobulina Anti-Varicela Zóster (IGHAVZ / VariZIG) Imunoglobulina hiperimune — via IM ou SC

Indicações (após exposição significativa) Suscetível com contato significativo, nos grupos do Manual dos CRIE 2023: imunocomprometidos (qualquer idade) Gestantes suscetíveis RN de mãe com varicela entre 5 dias antes e 2 dias após o parto RN prematuro ≥ 28 semanas cuja mãe não teve varicela RN prematuro < 28 semanas ou < 1.000 g, independentemente da história materna Menores de 9 meses em contato hospitalar

Dose 125 UI / 10 kg de peso (mínimo: 125 UI; máximo: 625 UI). Via IM preferível; SC: aceitável se plaquetopenia. Aplicar em até 96h após a exposição (maior eficácia ≤72h).

Obs. Não elimina a doença — reduz a gravidade. Em imunocompetentes a partir de 9 meses (SBP 2026/2027; Manual dos CRIE 2023), em surto ou contato íntimo: vacina de varicela até 120 h (5 dias) pós-exposição, idealmente em até 72 h; a dose aplicada antes de 12 meses não conta para o esquema. Disponível no CRIE (SUS).

Imunoglobulina Anti-D (Anti-Rh) Imunoglobulina hiperimune — via IM

Indicações Mãe Rh(D) negativa não sensibilizada (anti-D negativo): pós-parto de RN Rh+; abortamento espontâneo ou induzido; gravidez ectópica; amniocentese / biopsia de vilo corial; versão externa; trauma abdominal; hemorragia feto-materna.

Doses Profilaxia pré-natal (28–34 sem): 300 mcg (1.500 UI) IM Pós-parto (em até 72h): 300 mcg IM (ou 120 mcg se <13 semanas) 1º trimestre (abortamento, ectópica): 50–120 mcg IM Hemorragia feto-materna extensa: dose adicional calculada pelo teste de Kleihauer-Betke.

Obs. Não indicada se já sensibilizada (anti-D positivo); pode interferir com Coombs direto por até 6 meses. Disponível na rede pública (maternidades) e privada.

Imunoglobulina Anti-CMV (CMV-IgIV / CytoGam®) Imunoglobulina hiperimune — via IV

Indicações Profilaxia de doença por CMV em transplantados de órgão sólido (especialmente rim, fígado, pulmão) de alto risco: receptor CMV negativo recebendo órgão de doador CMV positivo (D+/R–). Também em TCTH de alto risco.

Dose 150 mg/kg IV na semana 1 pós-Tx; 100 mg/kg nas semanas 2, 4, 6, 8; 50 mg/kg nas semanas 12 e 16. Geralmente combinada com antiviral (ganciclovir/valganciclovir).

Obs. Disponível em centros de transplante. Uso em associação com antivirais reduz significativamente a carga viral e a doença por CMV em transplantados.

Imunoglobulina humana normal na hepatite A (IGHN) Imunoglobulina normal — via IM

Indicações Profilaxia pós-exposição (contato domiciliar ou sexual, creche com caso) em suscetíveis <12 meses (vacina não indicada); a partir de 12 meses, imunocomprometidos e hepatopatas crônicos recebem imunoglobulina junto com a vacina, em local diferente (CDC/ACIP 2020).

Dose 0,1 mL/kg IM, dose única, em até 2 semanas após a exposição. Viajante <12 meses: 0,1 mL/kg (viagem de até 1 mês) ou 0,2 mL/kg (até 2 meses; repetir a cada 2 meses). Fonte: CDC/ACIP 2020, que substituiu as antigas doses de 0,02 e 0,06 mL/kg; SBP e Ministério da Saúde não fixam dose, e o Manual dos CRIE 2023 não inclui imunoglobulina para hepatite A.

Obs. Para ≥12 meses imunocompetentes: vacina de Hepatite A em até 2 semanas (mais eficaz e durável). Imunoglobulina reservada aos grupos acima ou à contraindicação à vacina.

✓ Todas as imunoglobulinas hiperimunes são disponíveis nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) do Ministério da Saúde mediante indicação médica documentada. Lista de CRIE: saude.gov.br/svs/crie.

Anticorpos Monoclonais para Prevenção de Doenças Infecciosas

Nirsevimabe (Beyfortus®) Sanofi / AstraZeneca — Anticorpo monoclonal IgG1κ anti-RSV · ANVISA 2023

Alvo Proteína F do RSV na conformação pré-fusão (epítopo φII). Cobre RSV-A e RSV-B. Meia-vida prolongada (~70 dias) por modificações Fc (YTE).

Indicações SBP 2026/2027: bebê cuja mãe não recebeu a vacina VSR na gestação (ou a recebeu menos de 14 dias antes do parto, ou é imunocomprometida), de preferência na maternidade e em qualquer época do ano; todo prematuro < 37 semanas até 12 meses, mesmo com a mãe vacinada; e, de 12 a 23 meses, crianças com maior risco. SUS (desde fevereiro de 2026): prematuros até 36 semanas e 6 dias, sem limite de idade, em qualquer época do ano, na 1ª sazonalidade (Protocolo de Uso — Portaria SCTIE/MS nº 14/2026 — e NT nº 109/2025; divergência: o Guia de estratégia do MS, 1ª ed. revisada, 2026, cita < 6 meses), e menores de 2 anos com comorbidades (cardiopatia com repercussão hemodinâmica, doença pulmonar crônica da prematuridade, imunocomprometimento grave, fibrose cística, doença neuromuscular grave, síndrome de Down e anomalias congênitas de vias aéreas), estas durante a sazonalidade. Não é obrigatório nem indicado de rotina ao bebê a termo saudável de mãe vacinada. Referência (AAP 2026–27, atualização de 02/09/2026): nirsevimabe ou clesrovimabe para todo lactente < 8 meses na 1ª temporada cuja mãe não foi vacinada (ou tem status desconhecido, ou pariu < 14 dias após a vacina); na 2ª temporada, 8–19 meses de alto risco (só nirsevimabe 200 mg): • Prematuros < 32 semanas, independentemente de terapia • Doença pulmonar crônica da prematuridade com terapia nos últimos 6 meses • Cardiopatia congênita hemodinamicamente significativa • Anomalias pulmonares anatômicas ou doenças neuromusculares • Imunocomprometimento grave • Fibrose cística com doença pulmonar grave ou peso/comprimento < p10 • Síndrome de Down ou outras alterações cromossômicas, por si só • Indígenas americanos e nativos do Alasca

Doses <5 kg: 50 mg IM (vasto lateral da coxa) — dose única ≥5 kg: 100 mg IM — dose única; 12–23 meses com maior risco: 200 mg. Após cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea durante a sazonalidade: dose adicional. Na maternidade, em qualquer época do ano; nos demais, antes ou durante a sazonalidade do VSR.

Eficácia (ensaio MELODY/HARMONIE) ~75% de redução de bronquiolite por RSV com necessidade de atenção médica ~80% de redução de hospitalizações por RSV em lactentes saudáveis ~78% de redução de IRA baixa grave por RSV (HARMONIE, RCT fase 3)

Vantagens sobre palivizumabe Dose única por temporada (vs. mensal); cobertura de RSV-A e B com melhor potência; sem necessidade de monitoramento de níveis; pode ser usado em toda população de lactentes (não apenas prematuros).

Status no Brasil (2026) Aprovado pela ANVISA. Incorporado ao SUS em fevereiro de 2026 (critérios acima). Na rede privada, conforme a SBP.

Combinação com vacina VSR materna Não se combinam as duas estratégias no bebê a termo sem comorbidade, exceto se a mãe for imunocomprometida, se a vacina materna tiver sido aplicada menos de 14 dias antes do parto, no prematuro (< 37 semanas) ou na criança com maior risco de doença grave (SBP).

Obs. Não é vacina — não confere imunidade ativa permanente. Pode ser administrado junto com outras vacinas do calendário. Não contraindica vacinas. Não interfere em resposta vacinal.

Clesrovimabe (Enflonsia®) MSD — Anticorpo monoclonal anti-VSR

Indicação Alternativa ao nirsevimabe no calendário da SBP 2026/2027, com os mesmos critérios (bebê de mãe não vacinada, prematuro, maior risco). Registrado pela ANVISA em março de 2026; rede privada; não disponível no SUS.

Dose Menores de 12 meses: dose única de 105 mg IM, independentemente do peso.

Palivizumabe (Synagis®) AstraZeneca — Anticorpo monoclonal IgG1 humanizado anti-RSV · SUS: só regra de transição 2026

Alvo Proteína F do RSV (epítopo A — pós-fusão). RSV-A e B. Meia-vida ~20 dias → necessidade de doses mensais.

Indicações 2026 (Guia Prático SBP/SBIm/FEBRASGO nº 44 e MS) Substituído pelo nirsevimabe. Regra de transição: • manter o palivizumabe em quem o recebeu na sazonalidade de 2025 e continua elegível (prematuros ≤ 28 semanas e 6 dias com < 1 ano; < 24 meses com displasia broncopulmonar ou cardiopatia com repercussão hemodinâmica) • nascidos após a sazonalidade de 2025 até janeiro de 2026 → nirsevimabe • não intercambiar os dois na mesma sazonalidade • se faltar palivizumabe → nirsevimabe. As demais indicações (prematuros, fibrose cística, síndrome de Down, imunocomprometidos etc.) passaram ao nirsevimabe.

Dose 15 mg/kg IM — mensal durante toda a temporada RSV (≈5 doses: hemisfério sul março–julho). Vasto lateral da coxa. Dose máxima por sítio: 1 mL (dividir em 2 sítios se >1 mL total).

Eficácia (IMpact trial) ~55% de redução de hospitalização por RSV em prematuros; ~45% em cardiopatas. Inferior ao nirsevimabe; no SUS, apenas na regra de transição de 2026.

Temporada RSV (Brasil) Sazonalidade do MS: Norte, fevereiro–junho; Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, março–julho; Sul, abril–agosto (ajustar conforme dados regionais de vigilância epidemiológica).

Status atual No SUS, apenas na regra de transição de 2026 (acima); descontinuado nos EUA em 31/12/2025. Em países onde nirsevimabe está disponível no sistema público, palivizumabe está sendo progressivamente substituído. No Brasil, o nirsevimabe foi incorporado ao SUS em fevereiro de 2026 para prematuros e crianças com comorbidades — seguir as normas vigentes do MS/CRIE quanto ao uso residual do palivizumabe.

Vacina RSV Materna — Abrysvo® (Pfizer) Vacina recombinante bivalente (não é anticorpo monoclonal) · ANVISA 2024

Tipo Vacina de subunidade proteica (proteína F pré-fusão estabilizada bivalente RSV-A + RSV-B). NÃO é vacina viva. Protege o RN por transferência placentária de IgG materna.

Indicação Gestantes a partir de 28 semanas de gestação (SUS e SBP). Estratégia de proteção passiva neonatal nos primeiros 6 meses de vida.

Dose 0,5 mL IM (deltóide) — dose única durante a gestação. Pode ser coadministrada com influenza, COVID-19, dTpa e hepatite B (Guia Prático SBP/SBIm/FEBRASGO nº 44, 2026).

Eficácia (MATISSE trial) ~57% de redução de doença RSV grave nos primeiros 180 dias de vida; ~82% de redução de hospitalização por RSV nos primeiros 90 dias.

Combinação Se a mãe recebeu Abrysvo ≥ 14 dias antes do parto: o monoclonal fica para o prematuro (< 37 semanas), a criança de maior risco ou mãe imunocomprometida. RN a termo saudável: não necessita monoclonal adicional.

Status Brasil 2026 Aprovada ANVISA (2024). No SUS desde 02/12/2025 para gestantes a partir de 28 semanas. SBP recomenda. Também na rede privada.

ℹ Perspectiva futura: Anticorpos monoclonais para prevenção de outras infecções (influenza, SARS-CoV-2, CMV) estão em desenvolvimento clínico avançado. O modelo do nirsevimabe/RSV serve como paradigma para novos imunobiológicos preventivos.

Contraindicações e Precauções

Contraindicações Absolutas (Gerais)

ContraindicaçãoAplicação
Reação anafilática a dose anteriorContraindicação à mesma vacina e a qualquer preparação que contenha o antígeno causador. Investigar o componente exato (excipientes, conservantes, proteínas do ovo).
Encefalopatia não explicada em 7 dias após DTP/DTaPContraindicação ao componente pertussis (wP ou aP). Substituir por DT.
Vacinas vivas em imunossupressão graveSCR, Varicela, FA, BCG, Rotavírus, VOP, LAIV contraindicados em imunodeficiência celular grave, uso de IS em doses altas, QT ativa, pós-transplante recente.
Vacinas vivas na gestaçãoSCR, Varicela, FA, BCG, VOP — contraindicadas. Exceção: FA pode ser considerada em exposição de alto risco (destinos com circulação ativa) após avaliação cuidadosa (ACOG/SBP aceitam o risco como menor que a doença).

Precauções (Postergar ou Avaliar Individualmente)

SituaçãoConduta
Doença febril aguda moderada a gravePostergar vacinação até resolução do quadro agudo. Doença leve (resfriado, febre baixa): NÃO contraindica. Não perder oportunidade vacinal por quadros banais.
Corticosteroides >20 mg/dia por ≥2 semanasVacinas vivas: aguardar ≥1 mês após suspensão. Inativadas: podem ser administradas, mas resposta pode ser reduzida.
Plaquetopenia grave (<50.000/mm³)Vacinas IM: risco de hematoma — avaliar sítio SC ou esperar normalização. SCR e varicela: via SC (menor risco).
Síndrome de Guillain-Barré (SGB) em <6 semanas após vacina préviaPrecaução relativa para nova dose da mesma vacina, especialmente influenza. Avaliar risco/benefício individual.
Recebimento de sangue/hemoderivados/IgIVAguardar intervalo específico para vacinas vivas (Manual dos CRIE 2023, Tabela 5): IgIV 300–400 mg/kg → 8 meses; 1 g/kg → 10 meses; 1,6–2 g/kg (Kawasaki) → 11 meses; concentrado de hemácias → 5 meses; plasma ou plaquetas → 7 meses. Vacinas inativadas: sem restrição.

O que NÃO é contraindicação

✓ As situações abaixo são frequentemente usadas como falsas contraindicações — devem ser CORRIGIDAS para não perder oportunidades vacinais:

Infecção respiratória leve / febre baixaNão contraindica vacinação. Aproveitar o contato com saúde.
AmamentaçãoNão contraindica nenhuma vacina para a mãe nem para o lactente (exceto febre amarela: mãe que amamenta bebê < 6 meses suspende o aleitamento por 10 dias após a vacina).
Antibioticoterapia em cursoNão contraindica vacinas inativadas. Ty21a (tifoide oral): não administrar durante o uso de antibióticos.
História de convulsão na famíliaNão contraindica nenhuma vacina. História de convulsão prévia sem relação com vacina também não contraindica (exceto: verificar síndrome de Dravet para DTP/DTaP).
Prematuridade (exceto BCG)Vacinar pela idade cronológica. Prematuridade não contraindica nenhuma vacina exceto BCG (esperar estabilidade e peso > 2 kg).
Alergia a ovo (não anafilática)SCR e FA: podem ser administradas — produzidas em embrião de galinha com proteína residual mínima. Alergia anafilática a ovo: FA → encaminhar ao CRIE para protocolo de dessensibilização ou contraindicação; SCR → vacinar com a observação habitual — a anafilaxia a ovo não contraindica a SCR (Manual de ESAVI, MS; proteína de ovo <1 ng/dose).
Alergia à penicilinaNão contraindica nenhuma vacina (penicilina não é componente das vacinas).
Contato domiciliar com gestanteNão contraindica varicela nem SCR para a criança. Vacinar para proteger a gestante por imunidade indireta. A VOP não é mais usada no Brasil (VIP em todas as doses).

Contraindicações Específicas por Vacina

VacinaContraindicações específicas
Rotavírus (VORH)Invaginação intestinal prévia. Malformação gastrointestinal não corrigida. Imunodeficiência combinada grave. Fora do limite etário (1ª dose após 11 meses e 29 dias; última após 23 meses e 29 dias).
Febre Amarela<6 meses (absoluta). 6 a 9 meses (cautela — EAVP; só em situação de risco, SBP). Imunocomprometidos graves. Timectomia. Radiação ionizante. Gravidez (relativa — avaliar). ≥60 anos: avaliar risco/benefício (EAVP mais frequente).
BCGImunodeficiência celular grave (ex.: DCID). HIV sintomático. Prematuridade <36 sem ou ≤ 2 kg (temporal — não absoluta).
Dengue (Dengvaxia)Soronegativos — aumenta risco de dengue grave. Exige sorologia prévia positiva.
Influenza (LAIV — nasal)Asma ou sibilância em <5 anos. Imunocomprometidos. Gravidez. Uso de AAS <18 anos. <2 anos de idade. (LAIV não disponível no Brasil).
HPVAnafilaxia a dose anterior ou a componente da vacina (inclusive levedura). Gravidez: não recomendada — postergar para após o parto.

CRIE — Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais

Os CRIE são unidades de saúde especializadas do SUS que fornecem vacinas e imunobiológicos especiais para populações que não podem receber as vacinas do calendário padrão ou que necessitam de imunobiológicos não disponíveis nas UBS. Disponíveis em todas as capitais e em municípios-polo.

ℹ Acesso: mediante encaminhamento médico com documentação comprobatória da condição de base. Buscar em: saude.gov.br/svs/crie ou pelo Programa Nacional de Imunizações estadual.

Vacina / ImunobiológicoIndicações no CRIEDocumentação usual
Pneumocócicas (VPC20; VPC13 e VPP23 até o fim dos estoques)Imunocomprometidos, asplênicos, cardiopatas, pneumopatas, nefropatas, hepatopatas, DM, fibrose cística, trissomias, implante coclear, fístula liquórica/DVP, prematuros até 23 meses (VPC20 3+1) — além do calendário padrão de idade. Quem recebe VPC20 não recebe VPP23 (Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS)Relatório médico com diagnóstico
Meningocócica C, ACWY (a MenB não está disponível no SUS nem no CRIE — Manual dos CRIE 2023)Asplenia/hipoasplenia, deficiência de complemento, HIV, transplantados, DII, comunicantes de caso; MenC (1 dose): trissomias, hepatopatia crônica, doenças de depósito, doença neurológica incapacitanteRelatório médico; resultado laboratorial
Hepatite A (2 doses)Suscetíveis com hepatopatia crônica (inclusive VHC) ou portadores do VHB, coagulopatias, HIV, imunodepressão terapêutica ou por doença, doenças de depósito, fibrose cística, trissomias, hemoglobinopatias, asplenia, candidatos a transplante e transplantados de órgão sólido, TCTH e doadores cadastrados (Manual dos CRIE 2023, item 10.6)Relatório médico com diagnóstico
Hepatite B (4 doses com o dobro da dose para a idade)DRC (pré-diálise e hemodiálise), pré e pós-transplante renal, não respondedores a esquema convencional, HIV com CD4 <200Resultado de creatinina/TFG, anti-HBs
VaricelaComunicantes suscetíveis de imunocomprometidos; pós-exposição em suscetíveis de risco; imunocomprometidos não graves; trissomias (suscetíveis)Relatório médico; histórico vacinal
HPV (3 doses)HIV, transplantados, oncológicos, imunossuprimidos — qualquer sexo até 45 anosRelatório médico; resultado HIV/CD4 se aplicável
Influenza (dose dupla ou alta dose)Imunocomprometidos graves, transplantados, hemodiáliseRelatório médico
Raiva humana pré-exposiçãoVeterinários, biólogos, pesquisadores, trabalhadores em áreas endêmicas, espeleólogosComprovante de atividade profissional/carta do empregador
Febre Amarela (especial)Protocolo de dessensibilização para alérgicos ao ovo; imunossupressão leve a moderada; <9 meses com risco altoRelatório + teste cutâneo
BCG (revacinação)Contatos de pacientes com tuberculose pulmonar sem cicatriz; profissionais de saúdePPD/IGRA negativo; comprovante profissional
Nirsevimabe / palivizumabeVer critérios detalhados na seção de anticorpos monoclonaisRelatório neonatal com IG, peso, diagnóstico
Imunoglobulinas hiperimunes (HRIG, IGHAT, IgHB, IGHAVZ)Conforme indicações descritas na seção de imunoglobulinasRelatório de exposição; prontuário
IgIV (polivalente)Imunodeficiências primárias documentadas, Kawasaki, PTI refratáriaLaudo com diagnóstico confirmado; doseamento de Ig sérica
DT (sem componente pertussis)Contraindicação ao componente pertussis (encefalopatia pós-DTP)Relatório médico com documentação da EAPV

Comparação com as referências

Calendário da SBP e do Ministério da Saúde comparados com as demais referências, nos pontos em que elas diferem. Versão e data de cada documento na primeira linha.

ItemSBPMinistério da SaúdeAAPNICEAEPJohns HopkinsHarvardOxford / Cambridge
Versão consultadaCalendário 2026/2027, DC nº 56, 28/07/2026; Guia Prático SBP/SBIm/FEBRASGO nº 44 (VSR, 2026)IN do Calendário Nacional de Vacinação 2026 (23/07/2026); NT nº 64/2026 (VIP); NT nº 52/2026 (VPC20 no CRIE); Manual dos CRIE, 6ª ed., 2023Recommended Childhood and Adolescent Immunization Schedule: United States, 2026, Pediatrics 2026;157(3):e2025075754Sem calendário próprio (NG218, Vaccine uptake in the general population, 17/05/2022, trata só da adesão); calendário britânico: UKHSA, Green Book, cap. 11, 30/03/2026CAV-AEP, Calendario de vacunaciones e inmunizaciones de la AEP: recomendaciones 2026, An Pediatr 2026;104(1)Sem calendário próprio localizado; segue a AAPSem calendário próprio localizado; segue a AAPSeguem o NHS (UKHSA, Green Book)
Pneumocócica conjugadaVPC20 ou VPC15 em 3+1 (2, 4, 6 e 12–15 meses)VPC20 em 2+1 (2, 4 e 12 meses) desde junho de 2026; VPC20 no CRIE sem VPP23 depoisPCV15 ou PCV20 em 3+1UKHSA: PCV13 em 1+1 (16 semanas e 1 ano)PCV15 em 2+1 ou PCV20 em 3+1Sem calendário próprio localizado; segue a AAPSem calendário próprio localizado; segue a AAPSeguem o NHS (1+1)
MeningocócicasACWY desde 2 meses (preferida à MenC); MenB de rotina (2 doses + reforço)MenC aos 3 e 5 meses; ACWY aos 12 meses e de 11 a 14 anos; MenB não oferecidaMenACWY aos 11–12 e 16 anos; MenB de 16 a 23 anos por decisão compartilhada (rotina só em risco)UKHSA: MenB às 8 e 12 semanas e com 1 ano; MenACWY aos 14 anos; sem MenC no 1º anoMenB aos 2, 4 e ≥ 12 meses; MenACWY aos 4 e 12 meses e de 11 a 13 anosSem calendário próprio localizado; segue a AAPSem calendário próprio localizado; segue a AAPSeguem o NHS (UKHSA, Green Book)
HPVHPV9 (preferida) em 2 doses de 9 a 19 anos; 3 doses a partir de 20 anos e no imunocomprometidoHPV4 em dose única de 9 a 14 anos; resgate de 15 a 19 anos até 31/12/2026; 3 doses no imunocomprometido (9–45 anos)2 doses se iniciar de 9 a 14 anos (início recomendado aos 9–12)UKHSA: dose única de HPV9 aos 12–13 anosDose única de HPV9 aos 10–12 anosSem calendário próprio localizado; segue a AAPSem calendário próprio localizado; segue a AAPSeguem o NHS (UKHSA, Green Book)
InfluenzaTodos de 6 meses a 19 anos, todo anoRotina de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e grupos de riscoTodos a partir de 6 meses, todo anoUKHSA: vacina nasal atenuada (LAIV) nas faixas pediátricas elegíveis, todo anoUniversal de 6 meses a 17 anos (novidade de 2026)Sem calendário próprio localizado; segue a AAPSem calendário próprio localizado; segue a AAPSeguem o NHS (UKHSA, Green Book)
VSRVacina materna ≥ 28 semanas ou monoclonal (nirsevimabe ou clesrovimabe) se a mãe não foi vacinada (ou há < 14 dias do parto); monoclonal em todo prematuro < 37 semanas e no lactente de riscoAbrysvo® ≥ 28 semanas (desde 02/12/2025); nirsevimabe (desde fevereiro de 2026) para prematuros ≤ 36 semanas e 6 dias na 1ª sazonalidade, sem limite de idade (Portaria SCTIE/MS nº 14/2026; Guia do MS 2026: < 6 meses, divergência) e para < 2 anos com comorbidades, na sazonalidadeVacina materna ou monoclonal < 8 meses na 1ª temporada se a mãe não foi vacinada; nirsevimabe de 8 a 19 meses de alto riscoUKHSA: vacina materna; monoclonal só em alto riscoNirsevimabe universal < 6 meses na temporada; prematuros < 35 semanas até 12 meses; risco até 2 anosSem calendário próprio localizado; segue a AAPSem calendário próprio localizado; segue a AAPSeguem o NHS (UKHSA, Green Book)
Hepatite A e febre amarelaHepatite A em 2 doses (12 e 18 meses); febre amarela aos 9 meses e 4 anosHepatite A em dose única aos 15 meses; febre amarela aos 9 meses e 4 anosHepatite A em 2 doses; febre amarela só para viajantesUKHSA: sem hepatite A de rotina; febre amarela só para viajantesHepatite A em dose única aos 12–15 meses (novidade de 2026); febre amarela só para viajantesSem calendário próprio localizado; segue a AAPSem calendário próprio localizado; segue a AAPSeguem o NHS (UKHSA, Green Book)

Leitura: há convergência na VPC20 (ou VPC15) como produto, na proteção do lactente contra o VSR por vacina materna ou anticorpo monoclonal, na pólio só com vacina inativada, na tríplice viral e varicela em 2 doses e na dTpa em toda gestação. As divergências quase sempre resultam de a SBP recomendar mais, buscando a máxima proteção individual com os produtos da rede privada: (1) pneumocócica 3+1 na SBP e na AAP, contra 2+1 no SUS e na AEP (com VPC15) e 1+1 no Reino Unido — os esquemas reduzidos dos programas públicos têm efetividade populacional equivalente, por isso o 2+1 do SUS é esquema completo; (2) MenACWY desde os 2 meses, que nenhuma outra referência usa tão cedo (a AEP começa aos 4 meses; o Reino Unido e a AAP não vacinam o lactente saudável contra ACWY); (3) HPV em 2 doses até 19 anos, quando o SUS, o Reino Unido e a AEP já adotaram a dose única, com base em ensaios que mostraram proteção semelhante; (4) influenza para todos até 19 anos, como a AAP e a AEP, enquanto o SUS vacina de rotina só até menores de 6 anos; (5) hepatite A em 2 doses, como a AAP, contra a dose única do SUS e da AEP; e (6) febre amarela em 2 doses, exigência epidemiológica brasileira sem paralelo nas outras referências. No VSR, a SBP indica o monoclonal também ao bebê a termo de mãe não vacinada, o que o SUS não cobre. Nos EUA, o CDC passou em 2026 várias vacinas de rotina para decisão compartilhada; a AAP não acompanhou e publicou calendário próprio — por isso a comparação usa a AAP. Conduta do site: segue o Calendário da SBP 2026/2027; onde a SBP remete ao CRIE ou não se pronuncia (grupos especiais, VPC20 na rede pública, regras de transição), segue o Ministério da Saúde (IN 2026, Manual dos CRIE 2023, NT nº 52/2026). O esquema do SUS protege e é completo; o da SBP é a opção ampliada na rede privada.

Vias de Administração e Siglas

Vias de Administração

SiglaSignificadoSítios habituais
IMIntramuscularVasto lateral da coxa (lactentes); deltóide (≥1–2 anos)
SCSubcutâneaRegião anterolateral do braço (face posterolateral)
IDIntradérmicaInserção do deltóide (BCG); braço (raiva ID)
VOVia oralRotavírus, VOP, tifoide oral
IVIntravenosaIgIV, imunoglobulinas IV
INIntranasalLAIV (influenza nasal — não disponível no Brasil)

Siglas de Vacinas e Programas

SiglaSignificado
PNIPrograma Nacional de Imunizações
SBPSociedade Brasileira de Pediatria
AAPAmerican Academy of Pediatrics
ACIPAdvisory Committee on Immunization Practices (EUA)
CRIECentro de Referência para Imunobiológicos Especiais
CTAICâmara Técnica de Assessoramento em Imunização (BR)
EAPVEvento Adverso Pós-Vacinação
wPPertussis de células inteiras (whole-cell)
aPPertussis acelular
PCVVacina pneumocócica conjugada
PPSV23Vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente
VIP / IPVVacina Inativada Poliomielite
VOP / OPVVacina Oral Poliomielite
VORH / RV1Vacina oral contra Rotavírus Humano
SCR / MMRSarampo-Caxumba-Rubéola
SCRV / MMRVSCR + Varicela (Tetraviral)
dTpa / TdapDifteria-Tétano-Pertussis acelular (adolescente/adulto)
ISImunossupressor(es)
TCTHTransplante de Células-Tronco Hematopoéticas
TOSTransplante de Órgão Sólido
RSVVírus Sincicial Respiratório
TBETick-Borne Encephalitis (Encefalite por Carrapato)
PrEPProfilaxia pré-exposição (raiva)
PPEProfilaxia pós-exposição
IGIdade gestacional
DRCDoença Renal Crônica