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Pneumonia na criança

Como reconhecer a respiração rápida, cuidar em casa e saber quando ir ao pronto-socorro

Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Use o semáforo: 🟢 cuidar em casa · 🟡 procure o pediatra · 🔴 pronto-socorro agora. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra. 📄 Baixar em PDF

Em poucas palavras

Pneumonia é uma infecção do pulmão, causada por vírus ou por bactérias. O sinal mais importante é a respiração rápida para a idade, junto com tosse e, muitas vezes, febre. O pediatra confirma pelo exame da criança e pela medida da oxigenação no dedo (oxímetro); na maioria das vezes, a radiografia não é necessária. Quando a criança está bem, bebendo e com oxigenação boa (95% ou mais), o tratamento é feito em casa, com antibiótico pela boca e retorno em 48–72 horas. Vá ao pronto-socorro se a barriga afundar embaixo das costelas ao respirar, se houver gemido, lábios roxos, pausas na respiração, se a criança não conseguir beber, vomitar tudo, estiver muito sonolenta ou tiver convulsão — e sempre que um bebê com menos de 2 meses tiver suspeita de pneumonia.

1.O que é

  • Pneumonia: infecção da parte mais profunda do pulmão, onde o ar troca oxigênio com o sangue. A criança "pega" em casa, na creche ou na escola — por isso o nome pneumonia adquirida na comunidade.
  • Causas: nos bebês e nas crianças pequenas, vírus são os mais comuns (os mesmos do resfriado, da gripe e da bronquiolite). Entre as bactérias, a principal é o pneumococo. Em crianças em idade escolar e adolescentes, uma bactéria chamada micoplasma causa a pneumonia "atípica", de começo mais lento.

2.Como aparece (sinais e sintomas)

  • Tosse e febre (temperatura na axila de 37,5 °C ou mais), muitas vezes depois de alguns dias de resfriado.
  • Respiração rápida — é o sinal que mais ajuda a reconhecer a pneumonia.
  • Esforço para respirar: a pele afunda embaixo das costelas a cada respiração, as narinas abrem e fecham, a criança geme ao respirar.
  • Dor no peito ao tossir ou respirar fundo; às vezes, dor na barriga.
  • No bebê: recusa o peito ou a mamadeira, fica cansado ao mamar.

Como contar a respiração: com a criança calma ou dormindo e sem roupa no peito, conte quantas vezes a barriga sobe em 1 minuto inteiro (a febre alta acelera a respiração; se possível, conte depois que a febre baixar). É respiração rápida quando está:

Idade Respiração rápida
Menos de 2 meses 60 ou mais por minuto
2 a 11 meses 50 ou mais por minuto
1 a 4 anos 40 ou mais por minuto

3.Semáforo: quando cuidar em casa, quando procurar o pediatra e quando ir ao pronto-socorro

Cor O que você observa O que fazer
🟢 Cuidar em casa Pneumonia já avaliada pelo pediatra; criança com 2 meses ou mais; respiração rápida, mas sem a barriga afundando embaixo das costelas; oxigenação de 95% ou mais; bebe, mama e come; faz xixi normalmente; brinca nos intervalos da febre Antibiótico receitado, antitérmico se houver desconforto, líquidos e lavagem nasal. Retorno em 48–72 horas, mesmo que pareça melhor
🟡 Procure o pediatra Tosse com febre e respiração rápida ainda sem avaliação; respiração mais rápida ou cansada; febre alta que não cede; bebe menos, mas ainda aceita líquidos; bebê de 2 a 6 meses; febre que continua após 48–72 h de antibiótico ou que volta depois de ter passado Consulta no mesmo dia. Com oxigenação entre 92% e 94%, a criança precisa ficar em observação no consultório ou no pronto atendimento, com reavaliação
🔴 Pronto-socorro agora Barriga afundando embaixo das costelas ao respirar; gemido, narinas abrindo e fechando; lábios ou pele arroxeados; pausas na respiração; respiração muito rápida (mais de 70 por minuto no bebê de até 1 ano, mais de 50 na criança maior); não consegue beber ou mamar, vomita tudo, quase sem xixi; muito sonolenta, difícil de acordar ou convulsão; aspecto muito doente; bebê com menos de 2 meses com suspeita de pneumonia; oxigenação abaixo de 92% Pronto-socorro agora: pode precisar de oxigênio e de internação. SAMU 192 se lábios roxos, pausas na respiração, convulsão ou sonolência intensa

Crianças que merecem mais atenção

  • Bebês com menos de 6 meses (e, sobretudo, com menos de 2 meses) e prematuros.
  • Doença do coração, dos pulmões (como fibrose cística), neuromuscular, anemia falciforme, imunidade baixa ou desnutrição.
  • Vacinas atrasadas: pneumocócica, Hib (na pentavalente), gripe e coqueluche.
  • Pneumonias que se repetem no mesmo lugar do pulmão (pode haver um objeto aspirado ou uma alteração do pulmão).
  • Família com dificuldade de voltar ao serviço de saúde ou de observar a criança em casa.

4.Como cuidar em casa

  • Líquidos com frequência, em pequenas quantidades. Mantenha o peito normalmente; ofereça mamadas mais curtas e mais vezes se o bebê cansar.
  • Alimentação: não force; o apetite volta com a melhora.
  • Lavagem nasal com soro fisiológico antes das mamadas e de dormir — o nariz livre facilita a respiração do bebê.
  • Posição: a que a deixa respirar melhor, com o tronco um pouco elevado; o bebê dorme sempre de barriga para cima.
  • Febre: o antitérmico serve para aliviar o mal-estar, não para "zerar" o termômetro. A febre deve sumir em 48–72 horas de antibiótico — cerca de 9 em cada 10 crianças melhoram nesse prazo.
  • Tosse: pode durar 2 a 3 semanas depois do tratamento, sem significar que o remédio falhou.
  • Casa sem fumaça de cigarro (inclusive eletrônico).
  • Escola ou creche: a criança pode voltar quando estiver sem febre há 24 horas (sem antitérmico), bem-disposta e se alimentando.

5.Remédios: o que ajuda e o que evitar

Antibiótico — só com receita, depois do exame:

  • A amoxicilina pela boca é a primeira escolha. O pediatra calcula a dose pelo peso — às vezes uma dose mais alta de propósito, para vencer bactérias menos sensíveis. Não mude a dose por conta própria.
  • O tempo costuma ser curto (em geral cerca de 5 a 7 dias, conforme o pediatra). Dê nos horários certos e complete o tempo receitado, mesmo que a criança melhore antes. Não guarde sobras nem use a receita de outra criança.
  • Quando a pneumonia parece ser de vírus em criança pequena, o pediatra pode decidir que o antibiótico não é necessário.
  • Outro tipo de antibiótico (como a azitromicina) só é usado quando há suspeita de pneumonia "atípica" ou alergia à amoxicilina.

Para a febre e a dor — confira com o pediatra a dose em mL do remédio que você tem em casa:

  • Dipirona: 15 mg/kg por dose, a cada 6 h (no máximo 4 doses por dia); não usar em menores de 3 meses ou 5 kg.
  • Paracetamol: 10–15 mg/kg por dose, a cada 4–6 h (no máximo 5 doses por dia e 75 mg/kg no dia). Uso seguido por mais de 48–72 h, principalmente na dose máxima, em criança comendo pouco ou somado a antigripais com paracetamol, pode fazer mal ao fígado — nesse prazo, leve para reavaliação.
  • Ibuprofeno: 5–10 mg/kg por dose, a cada 6–8 h, a partir de 6 meses; evite na suspeita de dengue, na catapora e na desidratação.
  • Não alterne antitérmicos.

O que não usar: xaropes para tosse, expectorantes ou "remédios para soltar o catarro", descongestionantes e antialérgicos — não ajudam na pneumonia. Corticoide e bombinha (broncodilatador) só se o pediatra indicar, por exemplo quando há asma ou chiado. Nada de antibiótico sem receita.

6.Quando ir ao pronto-socorro

  • Barriga afundando embaixo das costelas, gemido, lábios arroxeados ou pausas na respiração.
  • Respiração muito rápida, falta de ar ao falar ou dor no peito que piora.
  • Não consegue beber ou mamar, vomita tudo, quase não faz xixi.
  • Muito sonolenta, difícil de acordar, confusa ou com convulsão.
  • Bebê com menos de 2 meses com tosse e respiração rápida.

Como levar

  • Leve a criança no colo, semissentada, na posição em que respira melhor.
  • Se estiver muito sonolenta ou com muito esforço para respirar, não dê nada pela boca.
  • Lábios roxos, pausas na respiração, convulsão ou sonolência intensa: ligue para o SAMU 192.
  • Leve a caderneta de saúde e os remédios em uso, com os horários das doses.

7.Como prevenir

  • Vacinas em dia: pneumocócica conjugada (desde os 2 meses), pentavalente ou hexavalente (protege contra Hib e coqueluche), gripe todo ano a partir de 6 meses e COVID-19. Na gestação, as vacinas dTpa e contra o VSR protegem o bebê nos primeiros meses. Confira a caderneta com o pediatra.
  • Aleitamento materno.
  • Casa sem fumaça de cigarro.
  • Lavar as mãos, cobrir a tosse com o braço e evitar contato de bebês pequenos com pessoas resfriadas.

8.Dúvidas e mitos comuns

Toda pneumonia precisa de radiografia? Não. O diagnóstico é feito pelo exame e pela oxigenação; a radiografia fica para casos mais graves, dúvidas ou falta de melhora.

Pneumonia é sempre grave? Não. A maioria das crianças com pneumonia leve é tratada em casa e fica bem. O importante é reconhecer os sinais de alerta e voltar no retorno.

Friagem, banho ou tomar gelado causam pneumonia? Não. Pneumonia é causada por vírus e bactérias. Banho morno faz bem e pode ser dado normalmente.

A tosse não passou depois do antibiótico. Ele falhou? Não necessariamente. A tosse pode durar 2 a 3 semanas. O que preocupa é febre que não passa, cansaço para respirar ou piora.

Lembre-se
  1. Respiração rápida é o principal sinal de pneumonia — aprenda a contar por 1 minuto.
  2. Barriga afundando embaixo das costelas, gemido, lábios roxos ou não conseguir beber: pronto-socorro.
  3. O tratamento em casa só é seguro com oxigenação de 95% ou mais e a criança bebendo bem.
  4. Dê o antibiótico nos horários e complete o tempo receitado.
  5. Retorno em 48–72 horas, mesmo que a criança pareça melhor.

9.Veja também

Veja também, nesta Biblioteca:

  • Sinais de gravidade — quando levar seu filho ao pronto-socorro
  • Resfriado comum e infecções de vias aéreas superiores
  • Bronquiolite viral aguda
  • Asma na criança — crise e controle
  • Tosse que não passa (tosse persistente e crônica)
  • Convulsão febril e primeira crise
  • Vacinação

Versão para profissionais: Pneumonia adquirida na comunidade (Patologias do consultório).

O que dizem as referências

Este guia compara as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), do Ministério da Saúde, da Academia Americana de Pediatria (AAP), do NICE (Reino Unido), da Associação Espanhola de Pediatria (AEP), do Johns Hopkins, de Harvard (Boston Children's), de Oxford e de Cambridge.

Onde concordam:

  • O diagnóstico é feito pelo exame (respiração rápida para a idade) e pelo oxímetro; a radiografia nem sempre é necessária para tratar em casa.
  • A amoxicilina pela boca é a primeira escolha.
  • Criança com oxigenação baixa, esforço para respirar ou que não consegue beber precisa de hospital.

Onde há diferenças:

  • Dose da amoxicilina: a SBP e a OMS usam dose menor; a AAP, a AEP e o Johns Hopkins, dose mais alta. Este guia aceita as duas e prefere a mais alta (padrão do site), porque ela vence melhor a resistência do pneumococo.
  • Tempo de tratamento: 7 dias na norma brasileira e na AEP, 5 dias no NICE, na OMS e no Johns Hopkins. Este guia usa em geral 5 a 7 dias; o pediatra define.
  • Oxigenação para tratar em casa: muitas referências usam 90–92%. Este guia é mais cauteloso: só em casa com 95% ou mais; de 92% a 94%, observação em serviço de saúde.

Fontes conferidas em outubro de 2026.

10.Fontes

Baseado no documento profissional Pneumonia adquirida na comunidade desta Biblioteca e nas referências nele citadas:

  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Abordagem diagnóstica e terapêutica das pneumonias adquiridas na comunidade não complicadas, 2021.
  • Organização Mundial da Saúde. Guideline on management of pneumonia and diarrhoea in children up to 10 years of age, 2024.
  • NICE. Pneumonia (community-acquired): antimicrobial prescribing (NG138), 2019.
  • British Thoracic Society. Community acquired pneumonia in children, 2011.
  • IDSA/PIDS (endossada pela AAP). Community-acquired pneumonia in infants and children, 2011.