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Conjuntivites (olho vermelho)

Como limpar o olho, quando o colírio é necessário e quando procurar ajuda

Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Use o semáforo: 🟢 cuidar em casa · 🟡 procure o pediatra · 🔴 pronto-socorro agora. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra. 📄 Baixar em PDF

Em poucas palavras

Conjuntivite é a inflamação da membrana que cobre a parte branca do olho e o lado de dentro das pálpebras. Deixa o olho vermelho, com secreção ou coceira. Pode ser causada por vírus, bactérias ou alergia, e quase sempre é benigna: na maioria das vezes dá para cuidar em casa, limpando a secreção com soro fisiológico e lavando bem as mãos. Muitas melhoram sem antibiótico; o pediatra decide se o colírio é necessário. Nunca use colírio com corticoide por conta própria. Procure atendimento no mesmo dia se for um bebê com menos de 1 mês, se houver dor forte no olho, a criança não suportar a luz, enxergar embaçado, ou se a pálpebra estiver muito inchada, vermelha e quente, com febre.

1.O que é

  • Viral: a mais comum, muitas vezes junto com resfriado e dor de garganta. Secreção aquosa (como lágrima), às vezes uma íngua na frente da orelha. É contagiosa por cerca de 10 a 14 dias e melhora sozinha.
  • Bacteriana: secreção amarelada ou esverdeada, com pálpebras "coladas" ao acordar. A maioria melhora em 5 a 6 dias, mesmo sem antibiótico. Quando vem junto com otite (dor de ouvido), a bactéria costuma ser a mesma, e o tratamento é outro.
  • Alérgica: o sinal principal é a coceira. Pega os dois olhos, com lacrimejamento, e costuma vir junto com rinite alérgica, asma ou dermatite atópica. Não é contagiosa e volta nas épocas de mais alergia.
  • No recém-nascido (menos de 1 mês): é diferente e pode ser grave, porque pode ser causada por bactérias transmitidas no parto. Sempre precisa de avaliação no mesmo dia.

Em todas as conjuntivites simples, a criança enxerga normalmente, não tem dor forte no olho e não se incomoda muito com a luz. Se algum desses sinais aparecer, pode ser outro problema.

2.Como aparece (sinais e sintomas)

  • Olho vermelho, em um ou nos dois lados.
  • Secreção: aquosa (viral e alérgica) ou amarelada e grossa (bacteriana).
  • Pálpebras coladas ao acordar.
  • Coceira (alérgica), ardência ou sensação de areia no olho.
  • Pálpebras um pouco inchadas.
  • Às vezes, febre e sintomas de resfriado (viral) ou dor de ouvido (bacteriana).

Lacrimejamento desde as primeiras semanas de vida, com o olho branco, costuma ser obstrução do canal da lágrima — não é conjuntivite; comente na consulta.

3.Semáforo: quando cuidar em casa, quando procurar o pediatra e quando ir ao pronto-socorro

Cor O que você observa O que fazer
🟢 Cuidar em casa Criança com mais de 1 mês; olho vermelho com secreção aquosa, secreção amarelada leve ou coceira; enxerga normalmente; sem dor forte e sem incômodo com a luz; pálpebras pouco inchadas; bem-disposta Limpeza do olho e higiene. Consulte o pediatra se a secreção ficar purulenta ou não melhorar em 2–3 dias; volte se não melhorar em 5–7 dias
🟡 Procure o pediatra Muita secreção amarelada ou esverdeada; conjuntivite com dor de ouvido; usa lente de contato; imunidade baixa; sem melhora após 2–3 dias de colírio; alergia nos olhos que não melhora com o tratamento; pálpebra inchada, vermelha e quente, com ou sem febre, mas o olho em si normal, a criança com mais de 1 ano e bem Consulta em 24 horas, com reavaliação em 24–48 h. Pode ser preciso antibiótico ou avaliação pelo oftalmologista. Na pálpebra inchada e quente, o retorno em 24–48 h é obrigatório
🔴 Pronto-socorro ou oftalmologista no mesmo dia Bebê com menos de 1 mês com olho vermelho ou secreção; secreção de pus muito abundante, que volta logo depois de limpar; dor forte no olho; não consegue abrir o olho ou não suporta a luz; visão embaçada ou pior; mancha branca no olho; pupilas diferentes; olho "saltado", dor ao mexer o olho ou olho que não se movimenta bem; pálpebra inchada e quente em bebê com menos de 1 ano, criança abatida ou sem melhora com o antibiótico; bolhas na pálpebra; pancada ou produto químico no olho; febre há vários dias com olhos vermelhos e lábios rachados Atendimento no mesmo dia, em pronto-socorro ou oftalmologista. Produto químico no olho: lave com muita água corrente antes de sair

Crianças que merecem mais atenção

  • Bebês com menos de 1 mês, principalmente se a mãe teve infecção sexualmente transmissível não tratada no pré-natal.
  • Crianças e adolescentes que usam lente de contato.
  • Imunidade baixa; trauma ou cirurgia no olho.
  • Adolescente com vida sexual ativa e secreção de pus muito intensa.

4.Como cuidar em casa

  • Limpe a secreção com gaze ou algodão molhado em soro fisiológico, do canto de dentro para o de fora do olho. Use uma gaze para cada olho e jogue fora.
  • Lave as mãos antes e depois de limpar o olho ou pingar colírio.
  • Toalhas, fronhas e travesseiros individuais; não divida colírios.
  • Compressas frias e lágrima artificial aliviam a conjuntivite viral e a alérgica.
  • Na alérgica: evite o que desencadeia (poeira, pelos, pólen), lave o rosto e as mãos ao chegar da rua.
  • Lente de contato: suspenda até a cura e procure o pediatra ou o oftalmologista.
  • Escola ou creche: em geral não é obrigatório afastar. A criança fica em casa se estiver com febre, abatida, sem condições de participar das atividades, ou se for pequena, com muita secreção e não conseguir manter a higiene; siga também a orientação do pediatra e da escola em caso de surto.

5.Remédios: o que ajuda e o que evitar

Colírio antibiótico — só com receita. É usado na conjuntivite bacteriana com secreção purulenta ou quando não há melhora em 2–3 dias. Não ajuda na conjuntivite viral nem na alérgica. Como usar: lave as mãos, puxe levemente a pálpebra de baixo e pingue sem encostar o frasco no olho; siga os horários e o tempo receitados (em geral 5 a 7 dias); não guarde o frasco aberto para outra vez nem use em outra pessoa.

Conjuntivite com otite: o pediatra trata com antibiótico pela boca, e não com colírio.

Colírio antialérgico — só com receita, respeitando a idade mínima da bula. Se houver rinite junto, o pediatra pode indicar antialérgico pela boca; os antialérgicos que dão sono não devem ser usados, a não ser por indicação do médico.

Para dor ou febre — confira com o pediatra a dose em mL do remédio que você tem em casa:

  • Dipirona: 15 mg/kg por dose, a cada 6 h (no máximo 4 doses por dia); não usar em menores de 3 meses ou 5 kg.
  • Paracetamol: 10–15 mg/kg por dose, a cada 4–6 h (no máximo 5 doses por dia e 75 mg/kg no dia); não use por mais de 48–72 h sem reavaliação.
  • Ibuprofeno: 5–10 mg/kg por dose, a cada 6–8 h, a partir de 6 meses; evite na suspeita de dengue, na catapora e na desidratação.
  • Não alterne antitérmicos.

Não use:

  • Colírio com corticoide, sozinho ou junto com antibiótico, sem acompanhamento do oftalmologista. Ele pode piorar infecções da córnea (como a do herpes) e, com o uso, causar catarata e glaucoma.
  • Colírios anestésicos ou "para tirar a vermelhidão".
  • Chás, soro caseiro, leite materno ou qualquer receita caseira dentro do olho.

6.Quando ir ao pronto-socorro

  • Bebê com menos de 1 mês com olho vermelho ou secreção.
  • Secreção de pus muito abundante, que volta logo depois de limpar.
  • Dor forte no olho, olho que não abre ou criança que não suporta a luz.
  • Visão embaçada, mancha branca no olho ou pupilas de tamanhos diferentes.
  • Olho "saltado", dor ao mexer o olho ou olho que não se movimenta.
  • Pálpebra muito inchada, vermelha e quente, com febre, em bebê com menos de 1 ano, criança abatida ou que não melhora em 24–48 h de antibiótico.
  • Bolhas na pálpebra com olho vermelho.
  • Pancada ou produto químico no olho.

Como levar

  • Produto químico: lave o olho imediatamente com muita água corrente ou soro, por pelo menos 20 minutos, e só depois vá ao pronto-socorro.
  • Pancada com suspeita de corte no olho: não aperte nem pingue nada; cubra com um copinho plástico sem encostar no olho.
  • Leve a caderneta de saúde e os colírios e remédios em uso; no recém-nascido, leve também os exames do pré-natal.

7.Como prevenir

  • Lavar as mãos com frequência e evitar coçar ou esfregar os olhos.
  • Não compartilhar toalhas, fronhas, maquiagem nem colírios.
  • Na alergia: controlar a rinite e evitar o que a desencadeia.
  • Lente de contato: higiene rigorosa e nunca dormir ou nadar com ela.
  • Recém-nascido: o pré-natal com exames para infecções sexualmente transmissíveis e o colírio preventivo que o bebê recebe ao nascer protegem contra as formas graves.

8.Dúvidas e mitos comuns

Toda conjuntivite precisa de colírio antibiótico? Não. A viral e a alérgica não melhoram com antibiótico, e muitas bacterianas leves passam sozinhas. O pediatra decide.

Posso usar o colírio que sobrou da última vez? Não. Ele pode estar contaminado, e pode ser de um tipo errado — inclusive com corticoide.

A escola exige atestado. Meu filho precisa ficar em casa? Em geral não é obrigatório. Ele fica em casa se estiver com febre, abatido ou sem conseguir manter a higiene; converse com o pediatra.

Olho vermelho com coceira todo ano na primavera é conjuntivite? Provavelmente é alérgica. Não passa para os colegas e tem tratamento próprio.

Lembre-se
  1. Limpe a secreção com soro fisiológico e gaze, uma para cada olho, e lave as mãos.
  2. Enxergar bem, sem dor forte e sem incômodo com a luz: em geral é conjuntivite simples.
  3. Colírio antibiótico só com receita; nunca use colírio com corticoide por conta própria.
  4. Sem melhora em 2–3 dias com colírio, ou mais de 7 dias de sintomas: volte ao pediatra.
  5. Bebê com menos de 1 mês, dor, visão embaçada ou olho "saltado": atendimento no mesmo dia.

9.Veja também

Veja também, nesta Biblioteca:

  • Sinais de gravidade — quando levar seu filho ao pronto-socorro
  • Resfriado comum e infecções de vias aéreas superiores
  • Otite média aguda (dor de ouvido) e otite externa
  • Rinite alérgica
  • Doenças com manchas na pele (sarampo, catapora, roséola e outras)
  • Cuidando do Recém-Nascido

Versão para profissionais: Conjuntivites (viral, bacteriana, alérgica e neonatal) (Patologias do consultório).

O que dizem as referências

Este guia compara as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), do Ministério da Saúde, da Academia Americana de Pediatria (AAP), do NICE (Reino Unido), da Associação Espanhola de Pediatria (AEP), do Johns Hopkins, de Harvard (Boston Children's), de Oxford e de Cambridge.

Onde concordam:

  • A conjuntivite bacteriana leve costuma melhorar sozinha, e o colírio antibiótico traz benefício pequeno.
  • Colírio com corticoide só com acompanhamento do oftalmologista.
  • Olho vermelho em bebê com menos de 1 mês, dor forte, visão alterada ou olho "saltado" são urgência.

Onde há diferenças:

  • Qual referência seguir: não há documento recente da SBP sobre a conjuntivite fora do período neonatal. Este guia segue a Sociedade de Pediatria de São Paulo (2018) e, no recém-nascido, a SBP (2020) e o Ministério da Saúde (2024).
  • Escola: a AAP e o NHS não exigem afastamento, o que contrasta com o costume de muitas escolas brasileiras. Este guia segue essa orientação: a criança fica em casa se estiver com febre, abatida ou sem conseguir manter a higiene.

Fontes conferidas em outubro de 2026.

10.Fontes

Baseado no documento profissional Conjuntivites (viral, bacteriana, alérgica e neonatal) desta Biblioteca e nas referências nele citadas:

  • American Academy of Pediatrics (HealthyChildren.org). Pinkeye (Conjunctivitis).
  • American Academy of Ophthalmology. Conjunctivitis Preferred Practice Pattern, 2023.
  • NHS. Conjunctivitis.
  • Sociedade de Pediatria de São Paulo. Recomendações nº 84 — Olho vermelho e conjuntivites na criança, 2018.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Profilaxia da oftalmia neonatal por transmissão vertical, 2020; Ministério da Saúde, Nota Técnica nº 11/2024.