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Obesidade na Infância e Adolescência

1.Importância e epidemiologia

A obesidade infantil é uma das principais questões de saúde pública pediátrica, com prevalência crescente. Tem alto risco de persistência na vida adulta e de comorbidades já na infância. A abordagem deve ser precoce, empática e familiar, evitando culpabilização e estigma, que pioram os desfechos.

2.Definição e classificação

Baseia-se no IMC ajustado para idade e sexo, usando as curvas/escore-z da OMS:

Classificação por IMC (curvas da OMS, crianças/adolescentes)
CategoriaReferência aproximada
SobrepesoIMP/idade entre escore-z +1 e +2 (≈ percentil 85–97)
ObesidadeEscore-z > +2 (≈ > percentil 97)
Obesidade graveEscore-z > +3

Em menores de 5 anos usa-se o peso para a estatura/IMC com os pontos de corte específicos da OMS. Sempre plotar nas curvas, não usar valores de adulto.

3.Etiologia: exógena x orgânica

A grande maioria é exógena/multifatorial (desequilíbrio energético + genética + ambiente). As causas endócrinas/genéticas são raras, mas há uma pista clínica decisiva:

Regra-chave

Obeso e alto (estatura normal ou acelerada) → quase sempre exógena. Obeso e baixo (baixa estatura/velocidade de crescimento reduzida) → investigar causa endócrina (hipotireoidismo, hipercortisolismo/Cushing, deficiência de GH) ou síndromes genéticas (ex.: Prader-Willi, sobretudo com hipotonia, atraso e hiperfagia).

4.Comorbidades (rastrear)

SistemaComorbidade
MetabólicoResistência à insulina, pré-diabetes/DM2, dislipidemia, síndrome metabólica
PeleAcantose nigricans (marcador de resistência insulínica)
FígadoDoença hepática gordurosa não alcoólica (esteatose)
CardiovascularHipertensão arterial
RespiratórioApneia obstrutiva do sono, asma
OrtopédicoEpifisiólise da cabeça femoral (escorregamento), doença de Blount, genu valgo
EndócrinoPuberdade precoce, SOP na adolescente
PsicossocialBaixa autoestima, bullying, ansiedade/depressão

5.Investigação

6.Tratamento

7.Erros comuns

8.Pontos-chave para a prova

9.Casos clínicos comentados

Caso 1

Menino de 9 anos, IMC com escore-z +2,8, estatura no percentil 90 (acima do alvo familiar), consumo elevado de refrigerantes e ultraprocessados e muitas horas de tela. Ao exame, acantose nigricans no pescoço. Pais com sobrepeso.

1.A etiologia mais provável é:
Gabarito: B) Criança obesa e alta (estatura preservada/acima do alvo), com dieta hipercalórica e sedentarismo, é o padrão típico da obesidade exógena. Causas endócrinas costumam cursar com baixa estatura.
2.A acantose nigricans indica:
Gabarito: C) A acantose nigricans é um marcador cutâneo de resistência à insulina; justifica rastrear DM2/pré-diabetes, dislipidemia e esteatose hepática.
3.A base do tratamento é:
Gabarito: A) O tratamento é a mudança de estilo de vida envolvendo toda a família, com metas realistas e sem estigma; medidas mais intensivas ficam para casos selecionados em centros especializados.
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Caso 2

Menina de 7 anos com ganho de peso importante no último ano, porém com desaceleração da estatura (cruzou percentis para baixo), pele seca, constipação e cansaço.

1.O que diferencia este caso e qual a suspeita?
Gabarito: B) Ganho de peso com desaceleração da estatura, pele seca, constipação e cansaço caracterizam o "obeso baixo" — sinal de alerta para causa endócrina, com destaque para o hipotireoidismo.
2.O exame inicial mais dirigido é:
Gabarito: A) A suspeita de hipotireoidismo justifica avaliar a função tireoidiana (TSH, T4 livre) como passo inicial dirigido.
3.A lição central que separa os dois casos é:
Gabarito: C) A estatura é a chave: obeso alto → exógena; obeso baixo → investigar causa endócrina/genética. Por isso medir e plotar a estatura é indispensável.
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10.Referências selecionadas